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26-08-2005

Uma Nova Goécia

S_p13 Uma das etapas mais importantes do desenvolvimento mágico na Tradição Esotérica Ocidental, mas também uma das mais incompreendidas, é o trabalho goético, ou invocação dos demônios. Foi sobretudo graças à Goécia que a magia adquiriu uma reputação tão sinistra no ocidente, especialmente em uma sociedade como a medieval, em que a palavra demônio evocava a noção de criaturas infernais, dotadas de chifres e rabo pontiagudo, sempre com um tridente na mão e envoltas em exalações sulfurosas. Essa idéia era compartilhada tanto pelo pio cristão quanto pelos pseudomagos que se aproximavam do trabalho goético ávidos por fama e poder, o que deu origem à lenda popular do pacto com o Diabo, que acabou se cristalizando na lenda de Fausto.

S_p12 Foi só a partir das pesquisas de McGregor Mathers, um dos fundadores da Golden Dawn, que a Goécia começou a recuperar seu sentido original. Rato incansável de biblioteca, Mathers descobriu, traduziu e publicou a obra mais importante da tradição goética, a Clavícula de Salomão, cujas instruções serviram de base para a composição do Livro da Serpente Negra, o qual registra a versão Golden Dawn da Goécia. Na interpretação moderna adotada por Mathers e seus colegas, os demônios com os quais a Goécia trabalha são vistos como uma personificação das forças sombrias que agem nas profundezas da psique do próprio mago. Elas tornam-se demoníacas na medida em que são apartadas da consciência e, conseqüentemente, se voltam contra esta, o que não deixa de antecipar as teorias freudianas sobre o recalque e o retorno do recalcado. O objetivo do trabalho goético é recuperar essas forças e integrá-las à totalidade da psique, transformando-as em energias positivas que contribuem para a evolução interior do mago.

S_p2 Com o costumeiro tom pragmático e pé-no-chão que adotava sempre que não estava preocupado demais em impressionar os basbaques com sua persona de Grande Mago, Crowley foi direto ao ponto, na célebre introdução que escreveu para a tradução de Mathers da Clavícula de Salomão: "Os espíritos da Goécia são parcelas do cérebro humano."

Mais prudente que Crowley, Israel Regardie evita atribuir uma base cerebral para os demônios goéticos, mas não deixa de insistir sobre o paralelo entre eles e os complexos inconscientes estudados pela psicanálise:

S_p6 O complexo, enquanto for um impulso subconsciente oculto, à espreita e destituído de configuração ou forma no inconsciente do paciente, ainda com força para romper a unidade do consciente, não pode ser adequadamente confrontado. A mesma base racional subjetiva estende-se ao aspecto goético da magia, a evocação dos espíritos. Enquanto na constituição do mago permanecem ocultos, descontrolados e desconhecidos esses poderes subconscientes, ou espíritos (...), ele é incapaz de enfrentá-los adequadamente, examiná-los ou desenvolvê-los visando modificar um e banir outro do campo total da consciência. Eles precisam assumir forma antes que possam ser usados. Mediante um programa de evocação, porém, os espíritos ou poderes subconscientes são convocados das profundezas, e sendo atribuída a eles forma visível no triângulo de manifestação, podem ser controlados por meio do sistema mnemônico de símbolos transcendentais e conduzidos ao terreno da vontade espiritualizada do teurgo.

Mesmo que Regardie use palavras com as quais os psicólogos contemporâneos não se sentem muito à vontade - como subconsciente, por exemplo -, sua descrição da Goécia é clara o suficiente para reconhecermos que o trabalho goético não é outra coisa senão o que os junguianos denominam de confronto com a sombra.

Sombra

S_p3 Classicamente, a psicologia junguiana define a sombra como os aspectos da personalidade que o ego se recusa a reconhecer e que, dessa forma, são banidos para o inconsciente. Os motivos dessa recusa são vários mas, de um modo geral, têm uma base sociocultural: o indivíduo reprime aqueles traços que não são valorizados pela sociedade ou que, durante a infância, os pais o ensinaram a encarar como feios, maus ou indesejáveis. Alguns desses elementos foram simplesmente expulsos do campo da consciência. Outros nunca chegaram a fazer parte dele e foram barrados antes mesmo que tivessem condições de se desenvolver. Formam a base do que Jung descreveu como o inconsciente pessoal e que coincide mais ou menos com o conceito de inconsciente que Freud desenvolveu no início da psicanálise, antes que formulasse a célebre distinção entre ego, superego e id.

S_p17 Nos sonhos e fantasias das pessoas, os componentes da sombra costumam aparecer sob a forma de figuras perturbadoras, más ou demoníacas. De fato, a interpretação junguiana tradicional identifica os demônios da religião aos complexos que constituem a sombra, e é esse o fundamento da explicação que Regardie dá para os demônios goéticos. No entanto, é importante frisar que esses complexos não são bons ou maus em si mesmos. São forças psíquicas, moralmente neutras, e é apenas à luz dos valores do ego que eles adquirem uma conotação maléfica.

S_p4 Para dar um exemplo, durante boa parte da história, a sociedade patriarcal classificou os sentimentos como um atributo feminino e inferior. A expressão dos sentimentos pelos homens era vista como sinal de fraqueza, o que ainda persiste em ditados como o de que "homem não chora". Para onde vão os sentimentos que os homens são proibidos de exprimir? Para a sombra, claro. Uma vez lá, tornam-se complexos inconscientes, em constante pé-de-guerra com o ego, e que exercem uma influência perturbadora sobre a consciência, apossando-se dela em determinadas circunstâncias - por exemplo, quando o homem explode em um ataque de raiva incontrolável. Essa raiva é um demônio porque possui a consciência, escapa ao seu controle e causa efeitos destrutivos para o próprio indivíduo e para os que o rodeiam. Mas ela não é essencialmente má. É uma força positiva, o sentimento, que só se tornou destrutiva devido à repressão que a impede de ser canalizada de uma forma mais construtiva. A mesma coisa vale para todos os elementos que constituem a sombra.

S_p8_1 Os junguianos freqüentemente se referem à sombra no singular, como se fosse uma entidade única, mas não devemos nos iludir com isso. A sombra é uma instância múltipla, composta por diferentes forças que só têm em comum o fato de terem sido reprimidas pelo ego, e que muitas vezes, além de estarem em conflito com a consciência, também se opõem entre si. Imagine uma multidão de demônios, pequenos e grandes, em constante luta uns com os outros, uivando, berrando, e você vai ter uma boa idéia do que se passa no território da sombra. É esse quadro que está na origem do termo goécia, palavra que em grego significa um uivo feroz e inarticulado.

O desenrolar do processo de individuação - que, como foi dito em outra parte, é nada mais, nada menos do que a iniciação de que falam os esoteristas - leva a consciência a se identificar cada vez menos com o ego, alargando seu campo para integrar os conteúdos do inconsciente, tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo. É inevitável, portanto, que em determinada altura do caminho, ela se defronte com o problema de recuperar a sombra, trazendo seus demônios para a superfície, exorcizando o caráter destrutivo dessas forças e integrando-as a seu próprio campo.

No âmbito da psicologia junguiana, esse trabalho é feito com a ajuda do terapeuta. Antes que a psicologia fosse inventada, contudo, as religiões e escolas esotéricas desenvolveram uma bateria de rituais com o propósito de alcançar esse objetivo. A magia goética, tal como descrita pela Clavícula de Salomão, é um desses procedimentos.

A Sombra e a Sístase

Antes de continuar, consideremos a questão da sombra à luz do conceito gnóstico de sístase.

Quem vem acompanhando o Franco-Atirador há algum tempo deve se lembrar de que a sístase é o nome que os gnósticos davam para o sistema de dominação que aprisiona o ser humano, limitando seu potencial. Esse sistema tem ramificações que se estendem por todos os níveis, do cósmico ao psicológico, mas suas principais manifestações são:

  1. Giger_bNo campo social, um conjunto de valores que determina o que é ou não aceitável, e inclusive o que deve ser considerado como real ou irreal. É o que o marxismo descreve sob a rubrica de ideologia.
  2. No campo psicológico, padrões estereotipados de cognição e comportamento, que filtram as percepções das pessoas e moldam suas ações e interações. A psicanálise se refere a esses padrões como o superego.
  3. No campo fisiológico, um sistema de tensões físicas - sobretudo musculares, mas não só - que impedem a energia de circular livremente pelo organismo. Reich batizou esse sistema de tensões de couraça caracteriológica ou couraça muscular.

Esses três níveis estão, obviamente, inter-relacionados. É a internalização da ideologia que está na origem do superego, e é o superego que se ancora no corpo sob a forma de um encouraçamento do organismo. Uma vez constituídos, superego, couraça e ideologia reforçam-se mutuamente em um circuito de retroalimentação (feedback). O circuito age como um filtro, que deixa passar algumas percepções, emoções e atitudes, com os quais a nossa realidade consensual (a visão que temos de nós mesmos e do mundo) é construída, enquanto outros, que não são considerados compatíveis com a realidade consensual, são sumariamente excluídos. O que mantém esse circuito funcionando é a energia dos próprios impulsos reprimidos, desviada e canalizada para alimentar o sistema.

Como o leitor deve ter percebido, a descrição gnóstica e a teoria junguiana da sombra descrevem a mesma coisa sob dois pontos-de-vista ligeiramente diferentes. A partir dessas duas visões, não é difícil perceber também que as relações entre o ego e a sombra são mais complexas, mais dialéticas, do que uma leitura superficial permitira supor. O mundo do ego rejeita a sombra mas, ao mesmo tempo, precisa da energia dela para existir. Nossa realidade consensual só se mantém à custa da força que extrai daquilo mesmo que ela exclui. Os impulsos reprimidos são transformados em demônios, mas são esses demônios que sustentam a estrutura que os reprime.

Conseqüentemente, é impossível superar a sístase enquanto ela for constantemente energizada pelo reprimido em nós. Daí que a integração da sombra, trazer os demônios do inconsciente à luz da consciência e, numa palavra, redimi-los, é uma condição sine qua non para a dissolução do estado de sístase. O que dá toda uma nova perspectiva ao trabalho goético.

A Clavícula de Salomão

Kingsolomon1 Apesar de ser atribuído ao rei Salomão - que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. De acordo com os filólogos que estudaram a composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C., provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.

Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará inevitavelmente decepcionado - pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele imprudentemente evocar.

Magickisastairway Mas não há motivo para susto. A razão pela qual a magia cerimonial antiga é tão abstrusa é a necessidade de mobilizar e canalizar as forças da imaginação, que são, afinal de contas, o único instrumento realmente necessário para a prática da magia. Todo o aparato que o mago é instruído a fabricar tem um significado acima de tudo simbólico, e espera-se que as dificuldades que ele vai encontrar ao fazê-los sejam suficientes para direcionar sua vontade em direção ao objetivo. Já no Renascimento, os criadores do que se tornou conhecido como magia hermética - Marsilio Ficino, Giordano Bruno e Pico della Mirandola, entre outros - compreenderam que uma capacidade de visualização bem-desenvolvida pode substituir com proveito essa tralha toda. A Golden Dawn aprofundou ainda mais essa trilha do uso mágico da imaginação, que consiste na visualização de símbolos e interação com eles em uma esfera puramente psíquica (o astral, como se costuma dizer). E AOSpare e a magia do caos levaram a tendência a seu limite extremo, substituindo até o simbolismo tradicional por símbolos e imagens que fossem eficientes e adequados à psicologia individual de cada mago.

(Por outro lado, para os que gostam da pompa e circunstância da magia cerimonial, Carroll "Poke" Runyon desenvolveu uma versão contemporânea da magia de Salomão que, embora eu não tenha testado na prática, me pareceu bem interessante e vale pelo menos uma olhada, apesar das horrendas ilustrações kitsch com que ele recheou seu livro...)

O Círculo Mágico e o Triângulo da Manifestação

Alegorias de escola de samba à parte, a magia goética se apóia sobre dois instrumentos: o círculo mágico e o triângulo da manifestação. Circle_goetiaO círculo mágico é um velho conhecido de todos os que estudam magia. É no interior dele que fica o mago e sua função tradicional é protegê-lo das forças que o ritual se destina a evocar. Autores contemporâneos, embora não neguem esse papel de proteção, tendem a ver o círculo mágico muito mais como a constituição de um espaço sagrado, separado da realidade quotidiana, no interior do qual a consciência se desloca para um estado alterado no qual a magia é possível. (Um exemplo dessa nova abordagem do círculo mágico pode ser encontrada aqui.) De qualquer forma, embora o mago medieval laboriosamente traçasse o círculo fisicamente no chão, não existe motivo pelo qual ele não possa ser simplesmente visualizado, que é a alternativa adotada por um bom número de adeptos nos dias de hoje.

A mesma coisa se aplica ao triângulo da manifestação, no interior do qual muitas vezes colocava-se um espelho mágico. De acordo com a Clavícula, ele deve ser feito de madeira, com as dimensões exatadas dadas pelo texto, mas pode-se perfeitamente visualizá-lo apenas na imaginação. Como o próprio nome diz, é no interior do triângulo que as entidades evocadas se manifestam. E as explicações dadas por Regardie e outros deixam bem claro que seu valor é antes de mais nada simbólico.

Identificando os demônios pessoais

Levando-se em conta o caráter simbólico de seus elementos, o ritual goético pode ser simplificado ao extremo, tornando-se uma forma de meditação voltada para a integração dos conteúdos que compõem a sombra.

S_p5 O primeiro passo é identificar esses conteúdos. Você pode preferir trabalhar com os próprios demônios goéticos que, afinal, em última análise, são uma personificação das tendências sombrias da psique. Se optar por essa alternativa, vai encontrar uma descrição pormenorizada dessas entidades em qualquer edição da Clavícula de Salomão (no início do post, dei o link de uma). Eu, porém, não recomendo essa abordagem. Embora sejam uma representação arquetípica, os demônios da Goécia são também clichês elaborados em um contexto - o do cristianismo medieval - que tem pouca ou nenhuma relevância para a psique contemporânea. E apesar do núcleo da sombra ser constituído de partes arquetípicas, ela é também uma montagem altamente individualizada de impulsos reprimidos e traços negativos da sua personalidade. Ou seja, todo mundo tem uma sombra, mas a sombra não é igual para todo mundo. Por esse motivo, é preferível dar espaço para que seus demônios pessoais se revelem sob uma forma igualmente pessoal, em vez de tentar encaixá-los na marra em uma representação coletiva.

S_p1 Normalmente, as partes da sombra podem ser identificadas através de suas manifestações emocionais. São emoções que se apoderam subitamente da consciência sem causa aparente ou com uma intensidade desproporcional a sua pretensa causa. Por exemplo, ataques de raiva cega ou destrutiva, sentimentos de opressão ou depressão não motivados (pelo menos, não inteiramente) pelas circunstâncias externas, inveja ou ciúme patológicos, etc.

Antes de proceder ao trabalho goético propriamente dito, é preciso mapear esses sentimentos. Uma forma simples de fazer isso é manter um registro escrito no qual se anota escrupulosamente todos os sentimentos que se quer trabalhar. Se preferir, você pode dar um nome a esses sentimentos (por exemplo, o Demônio da Raiva ou o Espírito da Depressão). Personalizar os conteúdos da sombra facilita a etapa seguinte, que é evocar sistematicamente seus demônios, com o objetivo de exorcizá-los.

Exorcismo da sombra

S_p15 Exorcizar os demônios, ao contrário do que o filme de William Friedkin e séculos de tradição católica dão a entender, não significa expulsá-lo. Isso seria o equivalente teológico da repressão e eles já estão mais do que reprimidos, obrigado. É por isso, aliás, que se tornaram destrutivos.

A palavra exorcismo vem do grego exos, exterior, e significa simplesmente trazer para fora o que estava oculto. Exorcizar um demônio significa apenas expor à luz da consciência um conteúdo que se encontrava reprimido no inconsciente.

Para isso, primeiro visualize a si mesmo no interior de um círculo de proteção ou visualize um círculo de proteção ao seu redor. Se achar necessário, pode traçar o círculo fisicamente, com giz ou que o valha, mas mentalizar um círculo de luz branca ao seu redor é o suficiente. Procure ver o círculo com a máxima nitidez possível. Sinta a proteção que ele oferece, isolando-o de todas as influências negativas, inclusive e sobretudo das forças que você vai evocar.

Em seguida, imagine um triângulo em frente a você, mas fora do perímetro do círculo. Ele corresponde ao triângulo da manifestação da Goécia clássica. Eu o vejo como um triângulo de luz vermelha, provavelmente porque a emoção característica da minha sombra é a raiva, mas a cor não é de fato importante. O essencial é imaginá-lo com nitidez e, de novo, se quiser, pode desenhar um triangulo concreto diante de seu círculo.

S_p23 O passo seguinte é vivenciar a emoção que vai ser trabalhada. O momento ideal para isso seria quando ela surge espontaneamente, mas na maior parte das vezes isso é muito difícil, beirando o impossível. Um dos traços mais marcantes das emoções da sombra é seu caráter compulsivo e, no calor da emoção, não se pode censurá-lo por não conseguir parar para visualizar o círculo e o triângulo.

Evocando os Demônios Pessoais

Em vez disso, depois de confortavelmente instalado em seu círculo, defronte o triângulo da manifestação, procure se lembrar das ocasiões em que você experimentou a emoção da sombra. Escolha apenas uma emoção de cada vez, ou será impossível lidar com a horda de demônios que vai irromper pelas janelas da mente.

Tente se lembrar não das circunstâncias externas, que são irrelevantes, mas das sensações que você teve quando a sombra irrompeu. Trate de evocar nos mínimos detalhes como você se sentiu nessas ocasiões.

S_p16 Quando perceber que conseguiu estabelecer contato com a emoção, visualize-a fluindo de você para o triângulo da manifestação, onde ela se acumula como uma massa luminosa de intensidade crescente. Depois de algum tempo, essa massa vai se coagular e assumir uma forma concreta. Pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto. Não tente antecipar ou impor uma forma, deixe que o processo seja espontâneo.

No entanto, caso ela surja sob o aspecto de uma pessoa real, de carne e osso, peça-lhe para adotar outra forma. Isso significa que você tende a projetar a emoção em questão sobre a pessoa que apareceu, e confundir as duas só vai trazer dor-de-cabeça para você e para a pessoa. Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra, e ele tinha toda a razão quanto a isso.

Pode ser que a imagem demore um pouco para se estabilizar, adotando várias formas seguidas, como se o conteúdo estivesse decidindo qual é a mais adequada. Mas, uma vez estabilizada, ela é o seu demônio. E está pronto para ser confrontado.

Now that I have your attention

S_p10 Uma questão importante antes de sair evocando os espíritos goéticos é: o que fazer quando eles aparecem? Você está escancarando os porões do inconsciente para dar passagem a seus piores demônios. Agora que eles estão plantados diante de você, como lidar com esses visitantes infernais?

Os magos medievais e renascentistas que usavam a Goécia não tinham grandes problemas com isso. Como eles trabalhavam com um sistema de crenças objetivo, a integração dessas forças à consciência não se colocava. Suas finalidades eram práticas até o talo: queriam conhecimento, poder ou diversão, e ponto final. Quando os espíritos goéticos surgiam, eles os botavam pra trabalhar. Depois, se tivessem cumprido sua tarefa a contento, recebiam uma licença para partir e tornavam a mergulhar nos porões sulfúreos do inconsciente, autônomos e não-integrados. Ou, se o mago não tivesse cumprido sua tarefa a contento, invadiam o círculo de proteção e se apossavam de sua alma (um fenômeno que a psicologia analítica conhece como inflação do ego e ao qual os psicólogos junguianos se referem como possessão do ego por um conteúdo do inconsciente).

S_p18 Não admira que a Goécia tenha adquirido uma reputação tão ruim, não só entre os leigos, mas entre os próprios adeptos. Sempre que questionados sobre as operações goéticas, os membros da Golden Dawn saíam pela tangente, e davam a mesma resposta do Jesus de South Park: "Meu filho, eu não tocaria nisso nem com uma vara de dois metros." E isso a despeito de ter sido McGregor Mathers quem traduziu a Clavícula de Salomão para o inglês.

No entanto, é preciso tocar nisso, com ou sem uma vara de dois metros.

Ego Psychology

S_p25 A resposta do necromante clássico é obviamente insatisfatória. Usar nossos demônios para atender desejos pessoais é colocar essas forças a serviço do ego. Seu equivalente contemporâneo poderia ser a ego psychology, que pretende drenar o inconsciente para criar um ego forte, plenamente adaptado ao princípio da realidade e capaz de submeter os "caprichos" do inconsciente ao domínio imperioso de sua vontade (que não deve ser confundida com a Verdadeira Vontade de Crowley e da Thelema).

Isso é o oposto da integração.

Os espíritos goéticos devem ser integrados à consciência, e não ao ego, e enquanto essa distinção não for compreendida, não importa o rótulo que se empregue, estaremos praticando magia negra da pior espécie.

O que fazer?, perguntaria o camarada Lênin, confiando seu cavanhaque com o olhar perdido no vazio.

O que fazer?

Diálogo com a Sombra

Os espíritas diriam que é preciso doutrinar os espíritos, isto é, esclarecê-los quanto à verdadeira doutrina de Kardec, tirá-los das trevas da inconsciência e permitir que eles se aperfeiçoem pela prática de obras de caridade.

S_p19 Contenha o sorriso, meu caro leitor cínico.

Eles estão certos.

Não da maneira que eles pensam, evidentemente. Os espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas - daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar - mas, talvez até por causa de sua inocência, descobriram um princípio importante.

Os espíritos são tirados do inconsciente através do diálogo.

Os espíritos são integrados à consciência estabelecendo-se uma conexão entre eles e alguma coisa maior que o ego.

Além do Ego

Esse eixo de referência maior que o ego é, evidentemente, o Self - ou o SAGA, se você preferir o vocabulário mágico.

Swanpeacockangel É isso que significa o círculo mágico de proteção. O círculo é o emblema geométrico do Self, e você vai notar que, na descrição da Clavícula, não é o nome do mago que está escrito em sua periferia, mas os nomes de Deus. Você notará também que mesmo a invocação goética tradicional conclama os espíritos a obedecerem em nome de Deus. É claro que invocar o poder divino para obrigar o espírito a encher seus cofres de ouro é uma traição do ego, mas o ponto não é esse. O ponto é que a força que submete os espíritos se origina de além do ego.

Desnecessário dizer, se o mago não tiver estabelecido ele próprio essa conexão entre a consciência e o Self, a evocação goética não passa de palavrório vazio. Pior que isso, é um blefe, porque o mago estará se apoiando em um poder que ele não possui. E um blefe que, com toda a probabilidade, não vai demorar a ser desmascarado, uma vez que, se a consciência não estiver solidamente ancorada no Self, não terá como fazer frente ao fascinium tremendum que emana dos complexos do inconsciente e que é descrito nos tratados tradicionais como a irresistível capacidade de sedução dos espíritos infernais.

S_p21_1 O resultado disso, numa palavra?

Loucura.

Foi só porque teve o bom-senso de se amarrar ao mastro do navio que Ulisses pôde resistir ao canto das sereias.

É por esse motivo que, segundo Abramelin, o trato com os espíritos infernais vem depois da conversação com o Santo Anjo Guardião. Abramelin vai ainda mais longe e diz que é o próprio SAGA quem ensina o mago a melhor maneira de evocar e controlar os espíritos. E adverte enfaticamente sobre o risco mortal que é a evocação dos espíritos infernais sem a imprescindível retaguarda fornecida pelo SAGA.

Comments

Olá

Sou o leitor número 21 do seu blog, também bastante enfiado em psicologia junguiana e ocultismo (por isso me tornei assíduo aqui)... eu queria te perguntar quem fez os desenhos dos animais híbridos que estão nesse post. Achei muito perfeito esse trabalho. Abraços.

Uau!

Isso me lembrou aqueles bruxos antigos que cultivavam demônios em uma garafa. Como isso poderia ser interpretado? Uma forma extrema de exteriorizar e materializar o seu próprio mal?

Será que alguém já conseguiu realmente algo assim? Tenho medo dessa pessoa...

Eu vejo claramente meus demônios materializados na couraça, mas ainda não consegui identificá-los na psique, o que eu ando recalcando, talvez isso me dê uma boa ajuda nesta tarefa ingrata mas necessária.

até.

Saravá, Angst!

Os desenhos são ilustrações do Dicionário Infernal, de Colin de Plancy, publicado originalmente em 1825. Não sei o nome do artista, mas ele tinha uma visão bem surrealista dos demônios. Claro que as descrições igualmente surreais da Clavícula de Salomão ajudam bastante. ;-)

Abs.
Malprg

Oi, Nataraja!

Outra coisa que você pode tentar - e que eu também usei pra lidar com a minha couraça - é uma técnica desenvolvida pelo Arnold Mindell, que é bastante simples, na verdade. Você se deita ou senta confortavelmente e, enquanto usa a respiração pra relaxar, focaliza sua atenção nos sinais corporais (neste caso, as sensações que se produzem nos bloqueios da couraça). Quando você relaxa a ponto de entrar em estado hipnagógico, produz-se uma imagem mental espontânea que é o correlato psíquico da sensação física. Daí você pode tratar essa imagem com as ferramentas psicológicas habituais, tipo meditação ou imaginação ativa. Eu usei basicamente imaginação ativa.

Abs.
Malprg

Interessante, vou tentar.

valeu.

Vou tentar não, vou fazer. Ainda estou aprendendo a falar direito...

Ótimo post, Malprg!
Mas ainda tenho algumas dúvidas:

Afirma-se que os demônios goéticos são 72. Como é que chegaram a esse número? É possível obter a mesma conclusão usando apenas ferramentas da psicologia?

Cada demônio possuim certos poderes ou habilidades que podem ser utilizados em benefício do mago caso ele tenha sucesso no ritual. Isso quer dizer que, quando o conteúdo da sombra que corresponde ao demônio for integrado à consciência do mago, ele terá acesso aos mesmos poderes?

Já que o trabalho goético só é recomendado após o mago ter a capacidade de conversar com o seu SAGA, pq ele é necessário? Explicando melhor: se o cara já consegue atingir estados de iluminação à vontade, pq trabalhar com seus demônios internos?

Por último, uma típica pergunta de principiante: vc já teve sucesso na materialização de algum demônio goético?
Pelo que escreveu, presumo que visualisa os demônios na mente, mas não recorre aos procedimentos clássicos da Goécia.
Bom, minha grande angústia é: dá pra se obter uma materialização de um conteúdo do inconsciente dentro de um triângulo de manifestação desenhado no chão?

Saravá, Perdidoemsp!

>Afirma-se que os demônios goéticos são 72. Como é que chegaram a esse número?

Os 72 demônios goéticos são a sombra dos 72 anjos ligados às 72 letras do Sagrado Nome de Deus na Cabala.

>É possível obter a mesma conclusão usando apenas ferramentas da psicologia?

Não. Nem todas as pessoas possuem todos os demônios como componentes da sombra. No trabalho de integração da sombra, você vai lidar apenas com as forças que estão ativas na tua própria sombra pessoal.

>Cada demônio possuim certos poderes ou habilidades que podem ser utilizados em benefício do mago caso ele tenha sucesso no ritual. Isso quer dizer que, quando o conteúdo da sombra que corresponde ao demônio for integrado à consciência do mago, ele terá acesso aos mesmos poderes?

Em princípio, sim. Mas não necessariamente da maneira como estão descritos. Boa parte dessas descrições tem um caráter meramente simbólico.

>Já que o trabalho goético só é recomendado após o mago ter a capacidade de conversar com o seu SAGA, pq ele é necessário? Explicando melhor: se o cara já consegue atingir estados de iluminação à vontade, pq trabalhar com seus demônios internos?

O contato com o SAGA não é um estado de iluminação, é apenas o estabelecimento de um canal de comunicação com a tua essência espiritual. Mas a consciência ainda está separada dessa essência. Só depois da Travessia do Abismo, quando a consciência individual se funde à essência espiritual representada pelo SAGA, é que ocorre a iluminação. E pra isso ocorrer, é essencial integrar ou dissolver os demônios do ego primeiro, porque eles agem como obstáculos entre a consciência e o espírito.

>Por último, uma típica pergunta de principiante: vc já teve sucesso na materialização de algum demônio goético?

Materialização física, não. Eu nem tentei. Dar uma forma física concreta aos meus demônios é a última coisa que me interessa, porque o objetivo é desarmá-los e integrá-los à consciência, não torná-los mais fortes.

>Bom, minha grande angústia é: dá pra se obter uma materialização de um conteúdo do inconsciente dentro de um triângulo de manifestação desenhado no chão?

Reza a tradição que sim, mas você precisa de uma quantidade colossal de energia, e não me agradam os meios sugeridos pra se obter essa energia. E depois, como expliquei, uma materialização física vai contra o próprio propósito do trabalho goético, porque fortalece os teus demônios e, quanto mais fortes eles forem, mais difícil se torna integrá-los.

Abs.
Malprg

Oi, Nataraja!

Depois conta como é que foi (se quiser, claro).

Abs.
L.

Conto sim. Na verdade, já tentei ontem e hoje de manhã, não veio imagem nenhuma, só um espasmo muscular e a velha sensação de que um ombro é menor que outro. Isso eu já tratei com regrassão e já sei a origem, mas acho que tem mais o que desencavar, já que a sensação nunca passa.

Vou continuar tentando.

Queria saber o vc pensa sobre o fato de o circulo mágico servir como uma forma de proteção.

Salve, True.

O círculo mágico é usado, de uma forma ou de outra, em praticamente todas as formas de magia. Às vezes, como na magia medieval, é traçado fisicamente no chão, e outras, apenas visualizado.

Ele funciona como proteção porque é uma mandala, isto é, um símbolo da estrutura psíquica e do Si-mesmo, que exerce um efeito estruturante sobre a psique. Dessa forma, o círculo cria um espaço ordenado, que impede que a psique do mago se desestruture em contato com as energias poderosas que ele evoca.

Abs.
Malprg

Onde está a listagem dos 72 nomes de demônios goéticos?

Essa listagem consta das Clavículas de Salomão, da qual existem várias versões online, inclusive aqui.

O décimo espirito Buer conhecido por remediar destemperos no homem, é capaz de remediar ou regenerar até células nervosas como lesão medular?

Só perguntando pra ele, Daniel. ;-) Como eu falei no post, eu prefiro não trabalhar com os espíritos tradicionais da Goécia.

Abs.
L.

Malprg,
Estudando sua visão sobre as Sobras e o Self me bateu uma idéia que gostaria de comentar (saber se tem fundamento).

Acredito que da mesma forma que o Ego reprime as Sombras para extrair energia delas as Sombras reprimem o Self para drenar a energia dele.

Nessa visão o Ego seria na verdade uma das Sombras que se tornou “dominante” sobre as outras por favorecimento da Sístase e passou a reprimir todo mundo, Sombras e Self.

Após ter entrado em contato com o Self reprimido pelo Ego o trabalho Goético integraria as Sombras para que a força que cada uma drena do Self pudesse fluir livremente. Assim também explicaria os “poderes” que se adquire por lidar com os Demônios.

É uma idéia que n posso fundamentar muito pq conheço nada de psicologia, ainda mais tentar fazer um paralelo entre ela e o esoterismo, mas n custa tentar
Abraço
Felipe F

Voltando ao q havia comentado, ñ consigo compreender pq um circulo vai proteger alguém de alguma coisa. Acho q a proteção é dada pela crença da pessoa q o circulo fará isso- ñ tenho prática com a goétia, alias ñ tenho prática nenhuma pq minha sinusite ñ deixa...- escrevi uma teoria sobre isso no orkut, tentando explicar o mecanismo q faz as evocações funcionarem.

Salve, Felipe!

É mais ou menos por aí, sim. A sombra é composta por uma multidão de complexos inconscientes e, de acordo com a psicologia junguiana, o ego não passa de um complexo que se tornou consciente. O trabalho de integração, nesse caso, consistiria em trazer os outros complexos para a consciência, quebrar a identificação da consciência com o ego e perceber que o Si-mesmo (ou Self) é que é o verdadeiro centro da consciência.

Abs.
Malprg

Saravá, True!

>Acho q a proteção é dada pela crença da pessoa q o circulo fará isso

Mas essa é a essência da magia. Nenhum artefato, traje, pantáculo ou palavra mágica tem qualquer poder em si mesmo. Eles funcionam como símbolos, pontos focais para a concentração da energia psíquica do mago, e essa energia é canalizada por meio da crença. Sem esta, você pode se esmerar em seguir cuidadosamente as recomendações das Clavículas (ou de qualquer outro grimório), que não vai obter qualquer resultado. E, de fato, quanto mais o mago adquire consciência disso, menos ele precisa de objetos materiais - a partir de determinado ponto, basta trabalhar com símbolos puramente mentais (é a chamada magia hermética, que consiste apenas de visualizações e manipulação de símbolos abstratos).

Abs.
Malprg

por gentileza,
será que alguém se habilita a me passar algum feitiço pra manipular pessoas?
^^

Sorry, baby, wrong number. Usar a magia pra manipular pessoas é colocar a magia a serviço do ego. A única pessoa que um mago consciente manipula através da magia é ele próprio.

Abs.
Malprg

tudo bem...
procuro em outro lugar, baby

¬¬

Boa sorte (você vai precisar).
Abs.
Malprg


As gravuras aparecem na sexta ediçao francesa do Dictionnaire Infernal, publicada por Henry Plon en Paris no ano 1863, as ilustraçoes foron creadas por Louis Breton, en total 69, e forom gravadas por M. Jarrault

Saudaçoes

Félix Castro

Respondendo a um dos comentários, L., voce registra: Reza a tradição que sim, mas você precisa de uma quantidade colossal de energia, e não me agradam os meios sugeridos pra se obter essa energia. E depois, como expliquei, uma materialização física vai contra o próprio propósito do trabalho goético, porque fortalece os teus demônios e, quanto mais fortes eles forem, mais difícil se torna integrá-los.

Dá pra explicar?

Engraçado é perceber a presença de mecanismos com idêntica finalidade pelo ocultismo praticado sob algumas vertentes do Catolicismo.
Ora et labora, fórmula adotada pelos beneditinos, não tinha outro objetivo. Consideravam o trabalho como uma forma indispensável ao progresso espiritual. A fórmula pretende apontar a necessidade de um trabalho meditativo orientado para o próprio indivíduo. Diz-se, assim, que "cabeça vazia é oficina do Diabo". A importância do trabalho, para os beneditinos, está exatamente no fato de se fazer a atenção voltar-se sobre os próprios movimentos, sobre o próprio corpo.
Também os exercícios espirituais de São Tomáz de Aquino têm identico objetivo. Aqui trabalha-se num complexo de atenção, imaginação e meditação.
As necessidades de exercitar-se a humilhação do sacerdote ou da freira, que pontuam Santa Tereza de Ávila e São João da Cruz, também têm o mesmo objetivo e são igualmente acompanhados pelo trabalho da imaginação e meditação.
Mudam as moscas, mas a merda é sempre a mesma.

Valeu, Félix!

>Dá pra explicar?

Depende do que exatamente você quer que eu explique. Se é quais são os métodos tradicionalmente recomendados pela magia medieval pra produzir uma materialização física dos espíritos, você vai me desculpar, mas eu prefiro não explicar, não. Nem é tão difícil descobrir fuçando na Internet, mas eu é que não quero ser culpado de botar idéias na cabeça de ninguém, entende?

Abs.
L.

>Engraçado é perceber a presença de mecanismos com idêntica finalidade pelo ocultismo praticado sob algumas vertentes do Catolicismo.

Mas é isso mesmo, Rubens. A essência de todas as religiões é basicamente a mesma (entendendo-se religião, claro, no sentido forte do termo, como busca do sagrado, e não como culto institucionalizado). Elas só divergem em função do contexto histórico e cultural. Claro, com o tempo, depois que se institucionalizam, as religiões inevitavelmente acabam perdendo a conexão com essa essência e acabam sobrando só as divergências, mas isso já é outra história.

Só uma pequena correção, se você me permite: os Exercícios Espirituais são do Santo Inácio de Loyola, o fundador da Ordem Jesuíta, e não de Santo Tomás. Que, aliás, são amplamente recomendados pelos ocultistas como um método seguro e eficaz de treinar e desenvolver a imaginação visionária.

Abs.
L.

Com razão, Lúcio. Não sei de onde tirei a inversão. Ato falho??? Só os meus diabinhos saberão. Que os jesuítas me perdoem (rs)!

Quanto aos métodos rituais, eu objetivava mais trocar figurinhas quanto a sua leitura teórica sobre os mesmos do que propriamente nomeá-los. Mas entendo e concordo com sua resistência. A discussão não compensaria o sangue derramdo. Fiquemos apenas com o simbólico. Afinal, para o inconsciente não há diferença. O padre serve pão e vinho como se o cordeiro imolado fosse e todo mundo come e diz "Amém"!

Yep, vejo que você tem alguma idéia do que se trata. Como o blog é público e recebe visitas de todo tipo de gente, nunca se sabe o que algumas pessoas poderiam fazer com esse tipo de informação e eu quero chegar do outro lado do abismo com a consciência tranqüila. :-) Mas podemos discutir o assunto em pvt, se você quiser.

Abs.
L.

por gentileza,
será que alguém se habilita a me passar algum feitiço pra manipular pessoas?
^^

Posted by: Francisleine | 10-06-2006 at 13:10

Sorry, baby, wrong number. Usar a magia pra manipular pessoas é colocar a magia a serviço do ego. A única pessoa que um mago consciente manipula através da magia é ele próprio.

Abs.
Malprg

Posted by: Malprg | 10-06-2006 at 13:47

tudo bem...
procuro em outro lugar, baby

¬¬

Posted by: francisleine | 10-06-2006 at 23:30

Boa sorte (você vai precisar).
Abs.
Malprg

Posted by: Malprg | 11-06-2006 at 16:54

***

Com essa bela postura angariaste um novo fã pro teu blog, Malprg. :) Cheers!

Valeu, Samuel. Mas nem chega a ser um mérito: essa postura é o pré-requisito básico da alta magia (ou teurgia). Sem ela, o sujeito fatalmente acaba metendo os pés pelas mãos e se enfiando num imbroglio kármico daqueles que leva vidas inteiras pra desembaraçar.

Abs.
L.

Came just to check out!

Be my guest. :-)

Prezado sou um buscador que deseja conhecer a verdade, te encontrei e me comprazo em seus conhecimentos. até quando não sei, Tú estás entre os meus 4 favoritos.
Há, te deixo uma frase que ouvi no pulpito da CCB. Atenção apenas para concientização publica dos que por aqui passar.
" A Ruina precede a soberba, A Honra precede a Humildade"

Fala, MALPRG!

Já faz um tempinho que eu to no meu "curso preparatorio", e o que venho descobrindo é o seguinte: existem duas abordagens distintas no que diz respeito a evocação.
A moderna, da qual o principal representante é o Regardie, afirma que as entidades descritas na Goécia e outros grimórios são apenas personificações de diversos aspectos da Sombra.
A 2a afirma que essas entidades são realmente seres independentes.

Mas o buraco é mais embaixo. E isso pq o mago que trabalha com a primeira abordagem geralmente NAO CONSEGUE a manifestação física da entidade, visto que tenta projetar no triangulo da arte uma parte do seu inconsciente. Os resultados são sempre parciais.
Já os que trabalham com a 2a abordagem conseguem a manifestãção física da entidade, levando em conta que:
1- Os poderes dos espíritos são FATUAIS. Ou seja, a habilidade transformar metal comum em ouro não quer dizer que ele irá te desenvolver as habilidades para os negócios, mas sim que ele vai, literalmente, transformar qqer metal em ouro caso o mago peça.

Existe toda uma linha que defende a utilização dos rituais da maneira descrita pelos grimórios e pelos papiros e documentos egípcios e gregos, que são, afinal das contas, as fontes mais puras de magia que existem.

O sistema Golden Dawn é uma interpretação/adaptação dessas fontes. E tem muita gente que reclama que seus rituais nao tem a mesma eficácia que os da antiga.

Na verdade, os grimórios são sistemas de iniciação em si mesmos. E rituais trazem diferentes fases dessa experiencia para o magista. Não se trata apenas de uma forma sofisticada de psicologia, tal como a abordagem moderna nos faz crer.

Pra mais informações, saca só os seguintes livros:

http://www.amazon.com/Ceremonial-Magic-Power-Evocation-Personal/dp/1561841978/ref=pd_bbs_sr_3/002-1868832-9008014?ie=UTF8&s=books&qid=1173899675&sr=8-3

http://www.amazon.com/Secrets-Magickal-Grimoires-Classical-Deciphered/dp/0738703036/ref=pd_bbs_sr_1/002-1868832-9008014?ie=UTF8&s=books&qid=1173899718&sr=1-1

http://www.amazon.com/Goetic-Evocation-Magicians-Steve-Savedow/dp/1573531111/ref=pd_bbs_sr_1/002-1868832-9008014?ie=UTF8&s=books&qid=1173899748&sr=1-1

dá uma olhada nesse site:

www.8thmatrixpress.com

Fala, MALPRG!

Já faz um tempinho que eu to no meu "curso preparatorio", e o que venho descobrindo é o seguinte: existem duas abordagens distintas no que diz respeito a evocação.
A moderna, da qual o principal representante é o Regardie, afirma que as entidades descritas na Goécia e outros grimórios são apenas personificações de diversos aspectos da Sombra.
A 2a afirma que essas entidades são realmente seres independentes.

Mas o buraco é mais embaixo. E isso pq o mago que trabalha com a primeira abordagem geralmente NAO CONSEGUE a manifestação física da entidade, visto que tenta projetar no triangulo da arte uma parte do seu inconsciente. Os resultados são sempre parciais.
Já os que trabalham com a 2a abordagem conseguem a manifestãção física da entidade, levando em conta que:
1- Os poderes dos espíritos são FATUAIS. Ou seja, a habilidade transformar metal comum em ouro não quer dizer que ele irá te desenvolver as habilidades para os negócios, mas sim que ele vai, literalmente, transformar qqer metal em ouro caso o mago peça.

Existe toda uma linha que defende a utilização dos rituais da maneira descrita pelos grimórios e pelos papiros e documentos egípcios e gregos, que são, afinal das contas, as fontes mais puras de magia que existem.

O sistema Golden Dawn é uma interpretação/adaptação dessas fontes. E tem muita gente que reclama que seus rituais nao tem a mesma eficácia que os da antiga.

Na verdade, os grimórios são sistemas de iniciação em si mesmos. E rituais trazem diferentes fases dessa experiencia para o magista. Não se trata apenas de uma forma sofisticada de psicologia, tal como a abordagem moderna nos faz crer.

Pra mais informações, saca só os seguintes livros:

http://www.amazon.com/Ceremonial-Magic-Power-Evocation-Personal/dp/1561841978/ref=pd_bbs_sr_3/002-1868832-9008014?ie=UTF8&s=books&qid=1173899675&sr=8-3

http://www.amazon.com/Secrets-Magickal-Grimoires-Classical-Deciphered/dp/0738703036/ref=pd_bbs_sr_1/002-1868832-9008014?ie=UTF8&s=books&qid=1173899718&sr=1-1

http://www.amazon.com/Goetic-Evocation-Magicians-Steve-Savedow/dp/1573531111/ref=pd_bbs_sr_1/002-1868832-9008014?ie=UTF8&s=books&qid=1173899748&sr=1-1

dá uma olhada nesse site:

www.8thmatrixpress.com

Saravá, Henrique!

Do meu ponto de vista, as duas abordagens sobre a natureza das entidades mágicas pecam por unilateralidade. Ambas pressupõem uma distinção absoluta entre interno e externo, psíquico e físico. Acontece que as forças arquetípicas com as quais a magia lida, e das quais as entidades mágicas são manifestações personificadas, se originam de um nível da realidade onde essa distinção não se aplica. Tanto a realidade material quanto a realidade psicológica se originam dos arquétipos que, portanto, não são nem físicos, nem psíquicos, mas uma terceira coisa, que se manifesta tanto de forma física quanto psíquica.

Assim, as duas escolas estão ao mesmo tempo certas - você pode abordar as forças arquetípicas de qualquer uma dessas maneiras - quanto erradas - essas forças não são, em si, nem uma coisa, nem outra. A escolha da abordagem mais adequada depende, acima de tudo, da orientação psicológica de cada indivíduo. Os extrovertidos tendem a achar mais fácil lidar com as forças arquetípicas como se fossem entidades externas, ao passo que para os introvertidos elas são mais acessíveis se encaradas como conteúdos psíquicos.

No frigir dos ovos, o resultado é o mesmo.

Abs.
L.

"É verdade, sem mentira, muito verdadeiro:
O que está embaixo é como o que está no alto, e o que está no alto é como o que está embaixo, para penetrar nas maravilhas da totalidade una."

Blz, Malprg!
Discordo de vc no que diz respeito a afirmar que os resultados de ambas as abordagens são os mesmos. Não são.
Embora, como o tio Hermes já dizia, tudo é Uno e, a partir de um certo nível de realidade a ilusão da separaçao não existe mais, não se esqueça que nos encontramos em Malkuth de Assiah, e aqui essa ilusão é a nossa realidade.

Se vc tratar os espíritos que pretende evocar a forma física como complexos inconscientes, estará relegando-os à esfera de Yesod. Ou seja, está pondo tudo no mesmo saco: anjos, arcanjos, demônios, cacodemônios, elementais e espíritos planetários pertencem todos ao Inconsciente- Yesod.

Por outro lado, se vc os trata como entidades independentes, coloca cada um na sua Sephirah ou Qlippah específica. Isso modifica de maneira completa o ritual, a abordagem, e- é claro- os resultados.

Adoro Jung, e tenho que admitir que foi sua psicologia que me abriu as portas para a Magia. Mas relegar a realidade transcedental espiritual ao inconsciente é zombar do divino. Como eu disse antes, colocar Deus, o SAGA, anjos e arcanjos, deuses e demonios em Yesod equivale a fazer troça de planos superiores de consciência.
Na era da ditadura da razão, a maior perversidade é tentar racionalizar o espiritual, ou seja, tentar explicar o transcedental através da razão.
Não se pode esquecer que o centro da consciencia do mago é a intuição, que se identifica como a verdadeira inteligencia divina e está no Coração (Tiphareth), como os gregos já o sabiam.
Hod, ou seja, a lógica linear e o racional são apenas instrumentos da inteligencia divina, e não o centro. Não podem ser usados para explicar realidades transcedentais (que so podem ser vivenciadas).

Abs!

Henrique, como a coisa funciona para você? Pelo via psicológica ou externa?
Malprg, e para você?

Para mim eu não sei como funciona ainda não fiz nenhuma evocação, a não ser à dos arcanjos no LBRP. E após 5 meses de prática diária ainda estou aprendendo. Com poucos e graduais resultados cogniscíveis, dentro de minhas possibilidades atuais.

Teoricamente contudo, a explicação mais abrangente me pareceu a que diz que qualquer distinção não procede, até mesmo porque na hora de lidar com uma entidade, o nível de "realidade" é o mesmo independentemente do caráter psicológico ou externo desta. Faça amor ou faça guerra, o prazer e a dor são sentidos da mesma forma.

No que me parece, a magia requer um treinamento muito mais exigente do que a meditação pura e simples, e os resultados são mais demorados. Pelo menos é assim para mim. A chave de qualquer é a mesma desde os primórdios da existência: disciplina e perseverança, por mais pentelhas que sejam.

Abraços.

Henrique,

Acreditar que os deuses existem dentro da minha psique é visão dualista.

Acreditar que os deuses existem fora da minha psique é visão dualista.

Você é fascinado pela manifestação exterior das forças arquetípicas e portanto acha mais fácil concebê-las como entidades independentes. E isso tá certo.

Uma outra pessoa pode estar mais interessada na manifestação interior das forças arquetípicas e portanto achar mais fácil concebê-las como parte da psique. E isso também tá certo.

Deixa de estar certo quando a gente começa a achar que uma abordagem exclui a outra. Repito, isso é visão dualista. Aqui, o contrário de uma verdade é uma falsidade. , o contrário de uma verdade é uma outra verdade.

Deixa de estar certo quando a gente começa a achar que, porque aprendeu meia-dúzia de noções cabalísticas ou conceitos psicológicos, compreendeu a natureza das forças que estão por trás dessas noções e conceitos.

Você não faz a mínima idéia do que são os deuses, meu caro. Teus mestres não fazem a mínima idéia do que são os deuses. Eu não faço a mínima idéia do que são os deuses. Meus mestres não fazem a mínima idéia do que são os deuses. Inventamos imagens e conceitos para podermos lidar com eles, mas o mapa não é o território e quando caímos na ilusão de que é, acabamos presos em um mundo feito de cascas vazias.

Hod, a lógica linear e o racional são justamente o instrumento que você está usando para dizer que ou isto, ou aquilo. O teu raciocínio está preso ao princípio de exclusão, que é um dos pilares da lógica clássica, aristotélica, e que diz que se a, então não-(não-a). Se você quiser elevar a tua percepção acima da esfera de Tiphereth, precisa abandonar esse apego ao princípio de exclusão. Do abismo pra cima, a é não-a e vice-versa.

Gérard de Nerval, o poeta francês que acabou louco, escreveu certa vez que os deuses existem, mas não são o que os homens pensam.

Eu só acrescento que, se fossem, não seriam deuses.

Abs.
L.

>Você não faz a mínima idéia do que são os deuses, meu caro. Teus mestres não fazem a mínima idéia do que são os deuses. Eu não faço a mínima idéia do que são os deuses. Meus mestres não fazem a mínima idéia do que são os deuses.

Taí. Cheguei a esta conclusão tb.

>Gérard de Nerval, o poeta francês que acabou louco, escreveu certa vez que os deuses existem, mas não são o que os homens pensam.

>Eu só acrescento que, se fossem, não seriam deuses.

Eu acrescento que os homens existem, mas não são o que os homens pensam.

abraços.

se fossem não seriam homens.....

Salve, Gideon!

Já tive os dois tipos de experiência. Mas, como a minha constituição psicológica é intuitivo-introvertida, me sinto mais confortável lidando com os arquétipos como aspectos do inconsciente. Meu objetivo é o desenvolvimento da consciência e, conseqüentemente, não tenho muito interesse em manifestações físicas, então nunca desenvolvi muito esse lado. Acho, inclusive, meio perigoso, porque o deslumbramento com prodígios e aparições pode acabar reforçando o apego da mente ao samsara. Mas essa é só a minha opinião e o caminho que eu escolhi seguir. Pessoas com temperamentos e objetivos diferentes provavelmente vão adotar abordagens igualmente diferentes.

>Teoricamente contudo, a explicação mais abrangente me pareceu a que diz que qualquer distinção não procede, até mesmo porque na hora de lidar com uma entidade, o nível de "realidade" é o mesmo independentemente do caráter psicológico ou externo desta.

Yep. É um erro achar que uma manifestação psíquica é menos real do que uma manifestação física, só porque esta última é mais concreta. E, neste caso, não é uma questão de opiniões diferentes. É pura e simplesmente um erro, porque toma um tipo de realidade como parâmetro para avaliar outros tipos de realidade completamente diferentes. Quanto ao real, é outra coisa completamente diferente: é o ponto onde todas as realidades se encontram e se fundem.

>No que me parece, a magia requer um treinamento muito mais exigente do que a meditação pura e simples, e os resultados são mais demorados.

Não me parece. Alcançar uma transformação significativa por meio da magia é tão difícil quanto por meio da meditação. E a meditação, por outro lado, exige uma autodisciplina tão árdua quanto a magia. Na verdade, não estou convencido de que exista uma diferença concreta entre as duas coisas. Se você levar em conta que o tantra ioga envolve práticas rituais tão complexas (e muito parecidas) quanto as da magia cerimonial por um lado, e por outro que as formas mais avançadas de magia hermética envolvem a manipulação de símbolos puramente psíquicos, começa a desconfiar que meditação e magia são dois nomes diferentes pra mesma coisa.

Abs.
L.

>Não me parece. Alcançar uma transformação significativa por meio da magia é tão difícil quanto por meio da meditação.

Faz muito sentido.
Talvez o certo seja não separar as duas coisas e sim tomá-las como uma coisa só. Parece-me o correto. Mas não tinha pensado nisto antes. Mais um pequeno progresso. =)

[]s
Kingmob

À medida que a gente avança, todas essas distinções começam a parecer relativas. Magia, meditação, psicoterapia, religião, arte, vida, tudo acaba se fundindo num processo único: tao, dharma, individuação.

Abs.
L.

Oi, Malprg!

Sinceramente, eu nao sei como imaginar monstrinhos na minha mente vai me ajudar a integrar as partes qlippothicas da psique. Mas, como vc disse, cada caso é um caso.
Pelo que vc fala, essa técnica que vc utiliza me parece aquela da "morte do ego", dos gnósticos do Samael Aun Weor. Pelo que dizem, é uma das poucas coisas úteis que eles ensinam (OBS: espero que nao haja nenhum deles por aqui hehehhe).

Já que vc disse que teve ambos os tipos de experiencia, poderia dizer como foi a sua evocação à forma física? O que aconteceu? Que sistema vc seguiu?

Kingmob,
Eu ainda não fiz nenhuma evocação. Estou me preparando pra uma com base no Heptameron, de Pedro de Abano. Vou seguir o grimório à risca e vamos ver no que dá.
Objetivo imediato: manifestação do espírito à forma física.
Objetivo indireto: aprender mais sobre magia e a natureza da realidade.
Seja como for, ainda vou ter que estudar bastante o livro e obter e consagrar toda a parafernália ritualística.

Ah, pelo que eu saiba, no RMBP, vc não evoca, mas invoca 4 arcanjos. Eles criam um espaço consagrado em que vc pode trabalhar (ou seja, um templo temporário), isolando os 4 elementos, que são submetidos ao espírito (no centro, onde vc está!).
É por isso que ele é usado antes de outros rituais. Seja como for, para o RMBP é tido como uma prática didactica pelo sistema Golden Dawn. Tanto que, para rituais de invocação ou evocação, a GD usa o Ritual Maior de Banimento do Pentagrama ou o do Hexagrama.

Existe uma diferença entre invocaçao e evocaçao. Na primeira, vc chama uma força superior (anjos, arcanjos, inteligencias planetarias) pra DENTRO de vc. Na prática, vc alcança um estado expandido de consciencia, cuja natureza é determinada pela "personalidade" da entidade/força.
Já na evocação, vc chama a entidade a se manifestar "para fora", com o fim de interagir com ela (pedir coisas, fazer perguntas, etc). Aí tem umas regrinhas (anjos e arcanjos não se manifestam no plano físico, demônios vao te testar e tentar te enganar, etc).
Seja como for, a evocação para forma física é sim um dos ramos nobres da Magia e digna de muito estudo. Não é um objetivo menor de homens gananciosos como muitos ocultistas dão a entender. Faz parte integral do caminho espiritual da Magia, ou seja, é uma importante etapa.
Além disso, é dito que uma evocação é algo que vc nunca, mas nunca irá esquecer.

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