A Natureza é Sábia
Não existe melhor antídoto para as idealizações bicho-grílicas da natureza do que estudar o comportamento animal de perto. Vistos no plano geral ou numa bela panorâmica, o mundo animal pode parecer a própria imagem do paraíso perdido, um reino de harmonia e tranqüilidade, sem os medos e a agressividade que costumamos associar à civilização. Basta aproximar a câmera, no entanto, e encontraremos diversos exemplos de como a vida natural está longe de ser esse oásis de paz com que sonham os que cantam a sabedoria dos instintos e atribuem todas as mazelas do ser humano à perda de contato com os ciclos do comportamento natural.
O meu exemplo favorito sempre foram as vespas da família pompilidae. Diferentes das vespas sociais, que vivem em comunidade, as pompilidae são predadores solitários, que se alimentam de insetos e aranhas. Quando chega a época da reprodução, essas vespas adotam um comportamento bastante peculiar. Já fecundada pelo macho, a fêmea da vespa ataca uma aranha com seu ferrão - normalmente, a vítima é uma caranguejeira ou tarântula, ou seja, também não é flor que se cheire. Mas dificilmente alguma criatura mereceria o destino do pobre aracnídeo atacado: a aranha é imoblizada pelo veneno da vespa, que então deposita os ovos em suas costas. Passado o efeito do veneno, a aranha segue sua vida normalmente, sem saber que o interior do seu corpo carrega dezenas de larvas que se alimentam de seu sangue até atingir o estado de pulpa. A partir desse momento, a aranha é literalmente devorada viva por seus parasitas.
Se ocorresse num ser dotado de autoconsciência - como se diz que é o caso dos seres humanos -, esse comportamento predatório seria visto como o supra-sumo da crueldade. Mas, como é praticado por um robô biológico sobre outro robô biológico, a maldade inerente ao ato passa batido.
Essa já seria uma ilustração suficientemente didática para todos os que defendem a sabedoria da natureza. Em 2000, entretanto, o entomologista William Ebehard descobriu uma espécie de vespa que eleva esse comportamento a um requinte inimaginável, digno dos melhores pesadelos de filme-B sobre parasitas alienígenas. Ao contrário da maioria das pompilidae, o alvo dessa vespa são aranhas da família Plesiometa argyra, fazedora de teias. Como de praxe, a aranha é temporariamente paralisada pela vespa e infectada por suas larvas. Durante uma ou duas semanas, a aranha continua tecendo sua teia normalmente, enquanto é vampirizada pelas futuras vespinhas.
Passado esse prazo, porém, os parasitas assumem o controle da aranha e a obrigam a tecer o casulo que os abrigará durante a metamorfose de larva a vespa adulta, no decorrer da qual, obviamente, elas devoram a aranha.
Parasitas que escravizam o hospedeiro, obrigam-no a trabalhar para eles e depois o sacrificam para seu próprio benefício? Não é assim que age a classe dominante nas sociedades humanas? Alguém pode me explicar por que é que a mesma atitude que é vista na civilização como um crime abominável e uma exploração cruel torna-se aceitável quando ocorre entre os animais? O fato de, no caso destes últimos, a crueldade ser fruto de uma programação biológica inexorável não deveria torná-lo ainda mais assustador, em vez de desculpá-lo?
É esse o tipo de sabedoria dos instintos que nos dizem que perdemos e temos que recuperar? Os ecologicamente corretos que me desculpem, mas esse tipo de harmonia com a natureza, na boa, eu tô dispensando...
Mto bom o texto. Como sou um novato na área, aqui vão algumas perguntas:
A magia tb considera o ser humano como um autômato (na linha do Gurdjieff)?
Que caminhos há para apagar a sua "programação" e a substituir por livre arbítrio real?
Se não me engano, esse livre arbítrio só é atingido qdo se faz contato com o SAGA e, então, se segue a vontade divina, ou seja a nossa verdadeira vontade, certo?
Posted by: Perdidoemsp | 26-03-2005 at 22:27
Saravá, meu caro Perdido em SP
>Mto bom o texto.
Valeu!
>Como sou um novato na área, aqui vão algumas perguntas:
São ótimas perguntas. Foi levantando exatamente esse tipo de questões que a magia e o esoterismo se desenvolveram ao longo da história.
>A magia tb considera o ser humano como um autômato (na linha do Gurdjieff)?
De um modo geral, sim. Obviamente, existem diferentes escolas, com seus focos específicos, e a ênfase vai variar de escola para escola. Por exemplo, as correntes ligadas ao que se costuma classificar como "baixa magia" - isto é, a utilização da magia para conseguir benefícios concretos e imediatos - se preocupa muito menos com a autonomia do ser humano do que a chamada "alta magia", cuja meta é o desenvolvimento espiritual. Mas a Tradição Esotérica Ocidental derivou do gnosticismo - você pode encontrar um resumo sobre isso aqui - e a principal preocupação do gnosticismo era justamente libertar o ser humano das forças que o reduzem a um autômato teleguiado. Então, sim, essa preocupação faz parte da herança da magia.
>Que caminhos há para apagar a sua "programação" e a substituir por livre arbítrio real?
A-há! Essa é a pergunta de um milhão de dólares! ;-) Existem várias abordagens, com diferentes graus de sucesso, mas todas elas compartilham de pelo menos dois pressupostos (que são, também, os da ioga oriental):
a) Uma auto-observação meticulosa, visando a determinar quais são os padrões e mecanismos (psicofisiológicos, sociais e espirituais) que limitam a nossa consciência. Uma vez determinados, eles devem ser exorcizados, isto é, desconstruídos, de modo a desobstruir o livre fluxo da energia no nosso organismo (por organismo entenda-se não apenas o corpo, mas a totalidade psicofísica do ser humano). É essa confrontação com nossos próprios demônios interiores que constituía o verdadeiro objetivo da Goécia, antes que ela fosse pervertida por pseudomagos ávidos de poder.
b) Estabelecer uma conexão entre a consciência e as camadas mais profundas da nossa essência espiritual (independentemente do nome que se dê a essa essência: centelha, espírito, Eu Superior, Verdadeira Vontade, Self, Corpo sem Órgãos, e assim por diante).
Obviamente, esses dois processos têm de correr mais ou menos em paralelo: você não pode exorcizar os demônios que o escravizam se a tua consciência não estiver ancorada à tua verdadeira essência, mas é impossível conectar a tua verdadeira essência se os teus demônios pessoais estiverem obstruindo a conexão. Resolver esse dilema é o grande desafio de todas as disciplinas espirituais e práticas de alta magia, e não existe uma resposta consensual pro problema.
De qualquer forma, é por isso que, no Livro de Abramelin, o autor recomenda que os demônios só sejam evocados e confrontados depois que o mago tiver conseguido estabelecer o contato e conversação com o Santo Anjo Guardião: sem o SAGA pra servir de âncora e dar estabilidade, o ego do mago vai ser simplesmente arrastado pelas forças que ele evocar.
>Se não me engano, esse livre arbítrio só é atingido qdo se faz contato com o SAGA e, então, se segue a vontade divina, ou seja a nossa verdadeira vontade, certo?
Na verdade, o livre-arbítrio completo só é atingido depois da Travessia do Abismo, quando os demônios do ego são transcendidos e a consciência se transfere totalmente do eu pessoal para o Self. No sistema Golden Dawn, esse grau é chamado de Ipsissimus (em latim, "aquele que é plenamente o si mesmo"), mas não me consta que ninguém da GD tenha realmente chegado até aí...
O contato com o SAGA, que ocorre bem antes da Travessia do Abismo, serve apenas pra estabelecer a relação direta entre a consciência e o Eu Superior, mas a consciência e o Eu Superior ainda são duas coisas separadas. Claro que isso garante um grau maior de autonomia pra consciência, mas a autonomia completa só é atingida quando os dois se fundem: essa é a Iluminação budista.
Abs.
L.
Posted by: malprg | 26-03-2005 at 23:05
Feliz Aniversário, Lúcio!
Muitos posts de vida para ti (e para nós :D)!
ps: tive pouco tempo para comentar os posts animais que andaram tendo por aqui (e do CsO COM CERTEZA preciso comentar). Pretendo voltar a ser pentelho poster como sempre :)
Posted by: M.A. Lobato | 29-03-2005 at 14:30
Valeu, Matias, Aquele-Que-Sabe!
Ultimamente, também só venho tendo tempo pra fazer comentários curtos - mas, assim que o trampo der uma reduzida, já tenho um monte de posts engatilhados: também pretendo voltar a ser o poster pentelho de sempre. :-)))
Abs.
L.
Posted by: malprg | 29-03-2005 at 16:18
Como alguém pode dizer que a aranha "não sabe" que a vespa depositou os ovos em seu corpo? Como isso pode ser chamado de crueldade se entre o suposto agressor e a suposta vítima não existe distinção entre bem e mal e muito menos entre agressor e vítima? Um exemplo: se nos deparamos com uma onça no meio do mato, nós apenas nos preocupamos em sobreviver, racionalmente ou não. Mas se trombamos com outra pessoa na rua, ficamos remoendo pensamentos do tipo: "idiota, não olha por onde anda" - Os seres humanos são a única espécie de ser vivo que leva as coisas para o lado pessoal. Por isso, dizer que o ato da tal vespa é uma crueldade, só pode vir de um ser humano mesmo, desse ser que projeta nos outros e na própria natureza os seus medos e conclusões pessoais.
Posted by: Sahid | 01-04-2005 at 10:18
Sahid, você tá perdendo completamente o ponto. Não são as intenções da vespa que estão em questão - até porque não se pode falar em "intenção" quando se trata de uma programação biológica inteiramente determinada pelos instintos. A crueldade a que eu me refiro é um fato objetivo, concreto: com exceção das plantas, todas as formas de vida só sobrevivem à custa da destruição de outras formas de vida. Isso não tem nada a ver com a vespa ser boa, má ou indiferente, ou com o fato de a aranha saber ou não o que está acontecendo. Para que as larvas da vespa sobrevivam, a aranha tem que morrer. Ponto.
O que eu salientei no post é que, quando ocorre entre os animais, esse comportamento é aceito como natural e quando ocorre entre os seres humanos, o mesmo comportamento é rotulado como crueldade. Que as pessoas que ficam horrorizadas com os atos de violência entre os humanos são as mesmas pessoas que pregam uma volta à natureza como solução para as mazelas da civilização, sem se dar conta de que na natureza existe o mesmo conflito generalizado, a mesma luta pela sobrevivência, a mesma sobrevivência dos mais aptos.
Ao contrário do que pregam os bichos-grilos, a solução para os problemas da humanidade não é voltar a se conectar com os instintos, porque o homem nunca perdeu essa conexão. Pelo contrário, a violência e a crueldade humanas nascem do fato de o mesmo conjunto de instintos que herdamos dos animais continuar a reger nosso comportamento em um contexto onde eles não se aplicam mais. A vespa e a aranha não têm outra opção, a programação biológica para elas é soberana. Mas o ser humano tem escolha.
Não se trata também de virar as costas para os instintos e se deixar guiar exclusivamente pela razão, como prega toda uma tradição moralista desde o início do cristianismo. A questão é que, no ser humano, os instintos podem ser transformados pela consciência. Os instintos são o pólo inferior do espectro de manifestação dos arquétipos, cujo pólo superior é o espírito. Através de um processo de integração das energias arquetípicas à consciência, elas podem ser conduzidas do pólo instintivo para o pólo espiritual - era o que Jung denominava de processo de individuação.
Cuidado para não levar as coisas para o lado pessoal. ;-)
Abs.
L.
Posted by: Malprg | 01-04-2005 at 11:50
E ae, Malprg!
Vc mesmo diz que a magia funciona, mas será que ela consegue atingir os objetivos que propõe?
Quer dizer, a literatura iogue e hindu é cheia de iluminados, mas, na magia ocidental, nunca se ouve falar de ninguém?
Será que o ocidente tem seus heróis ou ninguém ainda conseguiu sair da prisão?
Posted by: Perdidoemsp | 01-04-2005 at 19:15
Boa pergunta. :-)
Posted by: Malprg | 01-04-2005 at 22:17
Os bichos-grilo da vida, como sabiamente diz Eric Cartman, "só sabem puxar fumo e feder".
O exemplo da vespa é um pedaço de toda a ecologia - ecologia enquanto um sistema aberto &complexo. Da mesma forma que há o exemplo da vespa há trocentos outros exemplos mais "paz e amor" entre os animais da natureza. Entre os insetos geralmente prevalece a crueldade (talvez dai a associação de insetos com demônios, como no Gaki Do do japão). Mas há sim grandes exemplos também de compaixão entre outras espécies, geralmente mamíferos, mas também em alguns pássaros... mas não vem ao caso, pois o ponto não é defender um lado "paz e amor" ou um lado "harsh realm" da natureza.
Com certeza bicho-grilo pregando uma volta à natureza como solução a todos nossos problemas é demência infantil, já que quando estávamos lá no bojo da selva pelados, optamos por vir até onde estamos hoje.
O ponto aqui é o equilíbrio. Onde o ser humano o deixou?
Há exemplos onde grupos humanos escolheram ficar na vida ugabuga e mantiveram o equilíbrio, como os birhors na Índia (por mais que tenham sido engolidos pelo espírito das cidades recentemente, pois os espíritos das necrópoles são sempre violêntos e impositivos). Da mesma forma como deve haver exemplos de povos que por ficarem no ugabuga se autodesttruiram.
Por outro lado, os taoístas, ao contrário do que muitos pregam, sempre conviveram bem com tecnologias - até algumas das invenções do da vinci são cópias de idéias taoístas trazidas à europa por mercadores que se aventuravam à china - e ainda assim viviam harmoniozamente com a natureza. Como muitos bramins tb o fizeram - e tio pitágoras, outro amigo da natureza e das tecnologias, foi lá beber na fonte indiana...
O equilíbrio é o que falta. Só a natureza é contra o espírito transformador do ser humano. Só a razão/tecnologia é contra o espírito empático humano.
Como bem coloca tio P.K.Dick, a entrega do ser humano, cega, à tecnologia nos afasta da maior característica humana, a empatia, chegando ao ponto, ao menos em suas novelas, de androides serem mais humanos que humanos (sem querer plagiar a golden dawn aqui)...
& sobre a vespa, ela pode ser cruel, mas ao menos não é estúpida como nossa espécia que adquiriu o hábito de cagar naquilo que o sustenta, entregando-se a um simulacro que se materializa como Estado, Economia (sempre desejosa se tomar o lugar da ecologia), religião & afins...
& sobre as plantas, muy bem colocado, são os únicos seres que não se sustentam na destruição para sua manutenção, talvez por isso que homens como Sri Aurobindo (o grande anarco-místico), Pitágoras, e outros, se alimentavam só de mato, como auxílio para essa transformação do instinto via a consciência.
inté, Grande Gafanhoto.
Posted by: Mahib Hassam | 02-04-2005 at 01:33
Falou e disse, Hassam! Bem lembrado o exemplo dos taoístas - o budismo, aliás, também nunca teve problemas com isso, já que parte da premissa de que a natureza do Buda é universal. Foi só ao ser adotado pela contracultura ocidental que o budismo virou essa coisa natureba. ;-)
Só uma correçãozinha - eu não acho que a vespa seja cruel. A vespa, como todos os predadores (e, de fato, como todos os seres vivos) faz o que precisa fazer para sobreviver. O que me parece cruel é o sistema biológico como um todo - a destruição da vida para manter a vida. Mas talvez crueldade não seja bem a palavra, já que implica em um desígnio e o que nós temos é um sistema de forças cegas guiadas por um conjunto de mecanismos de auto-regulação. Aprisionado nesse sistema, o espírito - o meu, o teu, o da vespa e da aranha, e o do pé de alface que termina sua vida como salada - é arrastado cegamente, até adquirir consciência suficiente para se elevar acima dessas forças cegas.
Abs.
L.
Posted by: Malprg | 02-04-2005 at 01:59
Valeu amigo, minha cabeça desanuviou agora. O seu comentário preencheu algumas brechas que eu mesmo preenchi quando li da primeira vez, o que causou essa minha interpretação distorcida.
Posted by: Sahid | 02-04-2005 at 11:14
You're welcome, Sahid. :-)
Posted by: Malprg | 02-04-2005 at 13:10
Sahid, meu caro general,
Não temos a menor dúvida quanto à mente brilhante de nosso estimado atirador.
A programação é um sistema de forças cegas guiadas por um mecanismo de auto-regulação.
Perfeito.
Quanto a questão da individuação de Jung, tudo se encaixa, apesar de conhecermos outro processo-abordagem.
Lúcio, talvez você esteja certo ao dizer que temos apenas abordagens diferentes. Entendo que essas abordagens são, também, processos diferentes. Seja como for, que beleza de post!!
Abraço.
Hammadi.
Posted by: Hammadi | 03-04-2005 at 14:02
Conheço muito bem as aranhas e as formigas.
Só a ousadia dos navegantes errantes é que descobre mundos novos.
E os encanta.
Abraços, flores, estrelas..
www.mude.weblogger.com.br
Posted by: Edson Marques | 26-06-2005 at 21:17
Cara, ótima abordagem essa sua sobre o tema. Muito bem escrito e bem coerente. Muito, muito e muito bom. Já foi pros "Favoritos".
Posted by: Victor | 30-06-2005 at 10:06
Sei lá, acho isso a perfeição da natureza mesmo, me chamem de apocalíptico ou qualquer coisa assim, mas não vejo crueldade nenhuma, a única maldade está na mente humana, maldade não é isso, e nem crueldade... A natureza é sábia, mais do que pensamos, e nunca digam a mentira hipócrita de que os animais não têm livre arbítreo e que são simples robôs, porque não o são, têm seres humanos mais robôs que animais... Tentem analisar da maneira que a vespa faz isso pois é a melhor maneira de se reproduzir, ela coloca os filhos em um outro ser que serve de alimento, é a mesma coisa que uma lagarta colocar ovos numa árvore, a gente não percebe mas as lagartas comem a planta que também é um ser vivo... A aranha nada mais é do que um monte de produtos químicos arranjados de uma certa forma que capta as vontades de uma energia que é a consciência dela, assim como todos seres vivos, e se essa casca é útil prá vespa, ela utiliza, não se importa que têm um ser vivo lá... Algum outro animal se importaria com a vespa? A natureza é cheia disso, existem vírus, parasitas, tudo quanto é tipo de coisas, mas temos que aceitar como natural para não pirar, pois pirando contra a natureza, não chegamos a lugar algum... Ao invés de ficar pensando nessas coisas que não vão nos levar a lugar nenhum, porque não tentamos descobrir qual é o nosso papel nessa natureza, o que devemos fazer com essa porção de matéria que controlamos... Pois nossa estadia nesse mundo não passa de uma porção de matéria que controlamos que nos dá controle sobre as outras porções não interligadas que podem vir a ser... nossa agora é eu que pirei demais...
Posted by: Ale | 30-06-2005 at 15:23
Olá a todos, meu primeiro comentário.
Não acho que vc tenha pirado demais não ale e se pirou pirou certo pois o post foi muito bom mesmo. nos faz pensar na nossa própria natureza. Concordo que o maior fruto desse post é o de "o que fazer" com minha porção de matéria?
E creio que não é ir contra a natureza a resposta.
É também da natureza humana mudar, se adaptar e por isso o livre arbítrio é mais evidente em nossa espécie. O que acontece é que temos maior controle que os demias animais.
Equilibrio me parece sempre uma boa resposta. É natural pensar que voltar a nossa essencia(mãe natureza) é uma solução.
Acho que tem um pouco dos 2, voltar a uma essência de integração com o planeta e aproveitar o uso da tecnologia para a manutenção e desenvolvimento da vida, só que esta segunda não é bem assim que acontece, então vamos voltar para colocar as prioridades em dia.
Temos escolha não temos?
Abraços e parabéns pela discussão, muito enriquecedora.
Posted by: Marcio - Trojan | 01-07-2005 at 14:40
Bom, antes de mais nada, obrigado a todos que postaram seus comentários. Não deixa de ser curioso ver a discussão se reacender tanto tempo depois do post ter sido originalmente publicado. Ao mesmo tempo, vendo as reações que ele provoca, não consigo escapar da impressão de que não fui suficientemente claro, de que o estilo do texto pode ter dado margem a alguns mal-entendidos.
Não se trata, pra mim, de fazer um julgamento moral da natureza mas, pelo contrário, de questionar o povo que pretende usar a natureza como parâmetro para fazer julgamentos morais sobre o homem. A natureza é o que é, um sistema formado por mecanismos de causa e efeito encadeados, determinados por um princípio automático de auto-regulação interna. Sempre foi isso e sempre vai ser. A natureza também é espírito, claro, já que tudo é espírito, mas um espírito inconsciente de si mesmo e que não pode fazer outra coisa senão seguir os canais previamente traçados pelos instintos.
A diferença entre o homem e a natureza, como já apontava Hegel, é que no homem, o espírito torna-se consciente de si mesmo. Não de uma vez, não de uma pernada só, mas ao final de uma longa e árdua jornada, que chamamos de História. Quando o ser humano surge, lá nas priscas eras da pré-história, ainda é pouco mais do que um animal, também ele inteiramente governado pelos instintos. O espírito existe nele como um simples potencial. Aos poucos, no decorrer da história, esse potencial vai se desdobrando, vai se desenvolvendo, vai evoluindo (etimologicamente, "evoluir" vem do latim evolvere, que significa desdobrar o que estava dobrado). Todos os nossos conflitos, pessoais e coletivos, nascem da luta entre, de um lado, esse espírito que luta para atingir a consciência e, do outro, a programação instintiva que herdamos dos animais, e que continua pressionando nosso comportamento. A história da civilização é a história da luta entre o animal e o deus que todos trazemos dentro de nós.
O que me incomoda na atitude bichogrilesca é não-reconhecer (o que é diferente de simplesmente ignorar) esse conflito dialético entre o deus e o animal que impulsiona nossa vida interior. Quando se defende que o fim dos nossos problemas seria uma volta à natureza, o que se está defendendo, na verdade, é que o melhor remédio pra uma dor de cabeça é cortar a cabeça fora: suprimir o espírito e voltar ao estado de inconsciência natural.
Isso geralmente vem acompanhado de uma visão idealizada da natureza, que nega seus aspectos violentos e desagradáveis em favor de uma imagem cor-de-rosa. Isso, repito, não implica em um julgamento moral sobre a natureza que, insisto, é o que é e ponto. Uma vespa que deixa sua prole devorar uma aranha viva não é monstruosa. Mas um ser humano que se comportasse como a vespa, sim, seria profundamente monstruoso.
Acontece que um assassino, um ladrão, qualquer um que se comporte de forma egoísta, levando em conta apenas suas necessidades pessoais, sem consideração para com o outro, está agindo exatamente como o animal em estado de natureza: deixa seu comportamento ser definido por uma programação biológica que prevê unicamente a sua satisfação.
Meu ponto, portanto, é que os ripongos e adoradores da natureza estão de cabeça para baixo em relação à realidade: nosso problema não é a falta de contato com a natureza, mas o excesso dela, o peso excessivo que nossa natureza instintiva ainda tem dentro de nós.
Os animais não têm outra alternativa senão seguir a programação de seus instintos. Já o homem tem alternativa. Mas não usa.
Abs.
Malprg
Posted by: Malprg | 01-07-2005 at 17:13
Perfeitamente Malprg, eu entendi seu ponto no post quando li... só quis trazer o contraponto para não ir somento no espiritual pois estamos presos nessa realidade e aceita-la também é importante para podermos agir, como vc sabe.
Afinal me vejo como um espírito tendo uma experiência humana e não um humano tendo experiências espirituais.
Posted by: Marcio - Trojan | 03-07-2005 at 17:08
Olá pessoas...
Estou mais no SDM.....mas cá entre nós....as plantas tbém fazem as suas "crueldades" sim...lembrem de botanica meus caros. O que dizer da Erva-de-passarinho por exemplo que ao se desenvolver nos troncos da outra...lança suas "raizes" até a seiva da "hospedeira" e fica lá sugando até que esta pereça e aquela fique na boa? Fora muitos outros casos. Ou seja Sri Aurobindo não comia por saber disso, pois se "sabia", na verdade não sabia.
Abraços
Posted by: Leo | 04-07-2005 at 12:00
Como diria Einstein, de Absoluto só a Relatividade. Bem e Mal são forças antagônicas, Jung faz uma comparação bem interessante sobre esse tema. O Mal nao pode ser negado, o mal nao pode ser diminuido e pra combater um bem tao poderoso, só mesmo com a existencia de um mal igualmente forte. Lembra de Matrix? Quem era Smith? Oposto de neo, seu negativo, parte da equação tentando se equilibrar. Em outras palavras, o Mal é necessario, e é por isso que crueldade também esta presente na natureza dos animais e de todas as coisas(até nossa galáxia sera devorada). Mas nao devemos nos comparar com os animais pois só o homem possui
consciencia, nos sabemos oque é bem e oque é mal, seguir o bem ou seguir o mal. Se Deus existe, nós somos os mais desenvolvidos nesse planeta.
Posted by: Guilherme | 04-07-2005 at 18:23
Se Deus existe,se nós somos os mais desenvolvidos desse planeta pela racionalidade e consciência e moralidade (particularmente boto mais fé na fidelidade e amizade dos cachorros...),vale observarmos que;
-SE Deus é PERFEIÇÃO,e a natureza, nascida desse conceito está como está IMPERFEITA, das duas uma ;Um DEUS(ou o o conceito particular de cada um ) perfeito não conseguiu fazer nada perfeito, trazendo por isso mesmo dúvidas a respeito de sua própria Divindade e capacidade de vencer o caos...(talvez um caso clássico de talento desperdiçado)..... ou pode ser que seu esperado e projetado comportamento original,tenha sido pervertido,pelas sombras(assim como uma personagem
fugindo da esfera ,da atmosfera vívica de seu autor,compra asas de Ícaro na mente de quem o lê e foge de seu estado habitual e se transforma.);
posto que até nós humanos, estamos ainda assim sombreados nesse jogo de luzes,no meio do caminho, nem lá nem cá,aprimorando-nos SIM
,mas no bem e no mal.
Então temos que admitir que; ou alguma entidade,
energia ,força ou fraqueza, contrária,está interferindo,fazendo cabos-de-guerra internos e externos com nossas vontades antagônicas,
distanciando-nos assim da verdadeira unicidade de noção de comportamento(intrínseca e originalmente
perfeito e igualitário), não deveria admitir-se ser nem bom nem mal, simplesmente naturalmente divino e único ,porque um só existe a definição de um conceito por oposição, confronto ao outro...
Agora, saber quem ,quando,como e porque o espelho
não reflete exatamente a imagem original é que são elas...
Já tiveram a oportunidade de ler situações em que pessoas iluminadas conseguem dominar e modificar comportamentos "naturais" de todo ser da natureza?
"Todo aquele que tiver fé e não duvidar em seu coração e disser a essa montanha..afasta-te..ela se afastará..""..e veio caminhando sobre as àguas até a embarcação..."
Milagres não existem...existe o que É,e na confiança nELE,tudo se desvenda,se resgata,se recompõe, se modifica ,retorna ,revive,justamente
pela observação e desconfiança de erro dos que sabem da resistência efêmera desse ESTAR ilusório...
"Nada sem Vós...Nada sem nós" !(Mãe Peregrina )
(Tudo há de voltar a ser ,mas o dia e a hora ninguem sabe...)
P.S.Não sou fã de aranhas,mas que diacho de vespas fdp heim !Abraços e muito bom seu post, vim do SDM.
Posted by: tiza | 05-07-2005 at 15:37
Nossa! Entrei aqui hoje e vou virar assíduo. Li tudo o q vcs escreveram e penso o seguinte: temos mania de ficar complicando as coisas. É tudo muito simples na verdade: tudo é uma questão de nível de consciência. Estamos aqui pra desenvolvê-la. Como disse um mestre budista: não existem erros, apenas experiências. E é justamente aqui neste plano da dualidade que temos a oportunidade de conhcer o bem e o mal e optar pelo bem, aprender o principal: a amar. Sim, o mal é necessário. E chega-se num ponto do autoconhecimento q descobre-se q o pior inimigo somos nós mesmos... É aí q o bicho pega...
Posted by: dalla | 13-07-2005 at 03:16
Saravá, Marcio!
>Afinal me vejo como um espírito tendo uma experiência humana e não um humano tendo experiências espirituais.
We are spirits in a material world.
Abs.
L.
Posted by: malprg | 13-07-2005 at 13:25
Salve, Leo!
Esse traço vampiresco é uma das principais características que a vida assume nesta configuração da realidade que chamamos de mundo. Qualquer forma de vida só sobrevive combatendo outras formas de vida, geralmente destruindo e, na maior parte dos casos, consumindo o outro. Claro que, quando a consciência supera sua alienação do espírito e se dá conta de que todas as coisas são aspectos de Deus, percebe que esse elemento vampírico é ilusório: tudo o que existe é Deus se alimentando de Deus. Mas, no nosso nível de consciência, onde os seres são percebidos como fragmentos individuais, esse processo assume uma aparência de crueldade.
Abs.
Malprg
Posted by: malprg | 13-07-2005 at 13:34
Salve, Guilherme!
> Se Deus existe, nós somos os mais desenvolvidos nesse planeta.
Eu tenho um pouco de medo desse tipo de hierarquização, que já foi usado para justificar o domínio do ser humano sobre os animais e o direito de explorar a natureza até levá-la à beira da destruição.
Na minha opinião (que também é a do povo da Gnose de Princeton), nós não somos nem mais, nem menos desenvolvidos do que qualquer outra espécie. Somos apenas diferentes porque, ao contrário dos outros animais, somos dotados de autoconsciência. Mesmo aqui, porém, eu não me arriscaria a dizer que somos únicos - existem evidências de que os golfinhos, as baleias e alguns primatas superiores também têm algum tipo de autoconsciência, embora diferente da nossa.
Uma maneira de encarar a questão seria dizer que os seres humanos são uma experiência da natureza, uma tentativa de ver como é que se sai uma espécie dotada de autoconsciência. E, considerando o número de vezes que quase nos autodestruímos, levando o planeta junto, eu diria que ainda estamos longe de poder dizer que a experiência foi bem-sucedida.
Outro ponto-de-vista parte do princípio esotérico de que tudo o que existe é um aspecto diferenciado de Deus, isto é, é a encarnação de uma parte da divindade. Juntas, todas as coisas que existem formam o corpo de Deus. Nesse caso, dizer que o homem é mais desenvolvido do que, digamos, a vespa é tão sem sentido quanto dizer que o meu olho é mais desenvolvido do que a unha do meu polegar.
Abs.
Malprg
Posted by: malprg | 13-07-2005 at 13:44
Oi, Tiza!
>SE Deus é PERFEIÇÃO,e a natureza, nascida desse conceito está como está IMPERFEITA, das duas uma ;Um DEUS(ou o o conceito particular de cada um ) perfeito não conseguiu fazer nada perfeito, trazendo por isso mesmo dúvidas a respeito de sua própria Divindade e capacidade de vencer o caos...(talvez um caso clássico de talento desperdiçado)..... ou pode ser que seu esperado e projetado comportamento original,tenha sido pervertido,pelas sombras
Existe uma terceira alternativa. A de que, quando vista pelos olhos de Deus, a natureza seja perfeita, e que a imperfeição seja apenas uma ilusão de ótica, nascida do fato de que não somos capazes de ver o mundo com olhos divinos. É a perspectiva budista: o samsara é o nirvana, o nirvana é o samsara.
Abs.
Malprg
Posted by: malprg | 13-07-2005 at 13:48
Salve, Dalla!
Falou e disse tudo. Clap! Clap!! Clap!!!
Abs.
Malprg
Posted by: malprg | 13-07-2005 at 13:50
Você analisa o comportamento animal sob a ótica moral humana.
Para afirmar o que diz deveria entrevistar as vespas para tentar, com muito esforço, entender seus motivos.
Inevitavelmente, nossa visão sobre a natureza sempre será antropocêntrica, mas com um discurso pseudo-intelectual colocando seres que seguem seus instintos para a preservação de suas espécias como "maldosos" pode enganar incautos.
Conhece o "koan" do monge e o escorpião?
Posted by: Luís Henrique | 13-07-2005 at 16:48
>Você analisa o comportamento animal sob a ótica moral humana.
Já expliquei isso na minha resposta aos outros comentários, mas não custa repetir de novo mais uma vez: eu não estou analisando o comportamento animal sob a ótica humana. Meu argumento é o de que, se os homens se comportassem da mesma maneira que os animais (como a vespa do exemplo), esse comportamento seria imoral para os seres humanos. O post se dirige contra uma certa idealização bastante comum do comportamento animal como se fosse o parâmetro ideal que as pessoas deveriam seguir. Estou tentando mostrar que é exatamente isso que as pessoas fazem normalmente e que o animal em nós é a fonte da nossa violência e do nosso egoísmo, porque os comportamentos que são perfeitamente adequados para os animais tornam-se inadequados quando aplicados aos seres humanos.
Abs.
Malprg
Posted by: malprg | 13-07-2005 at 17:27
...Meu querido a resposta à sua pergunta é muito simples...as vespas fazem isso p preservarem a sua espécie...os homens...estão longe dos seus instintos..pq estão colocando a sua espécie em risco..apenas esse peq detalhe faz c que nós humanos estejamos fora do propósito universal...entende?...rs.A vida é sempre p gerar mais vida uma vida pela de dezenas...entende?...Vida quer vida..mais vida..mais vida...
Bjo grande e muito amor p vcs...
Leila Maria.
Posted by: Leila | 15-07-2005 at 13:32
Oi Mlprg !?!? ,
Até que já cri piamente nisso..mas isso antes
de vir morar junto de minha família, descobrir perplexa comportamentos da natureza selvagem de meu ex ,assistir muito Discovery Channel,cuidar de minha exsogra já nos cascos com as enfermeiras no hospital,e ler e assistir coisas como estas que vc escreveu...
Mas,depois dessas recentes descobertas de como sobreviver ainda que convivendo, nada me tira da cabeça que estamos naquele exato momento da troca no plantão,e colocamos por engodo,temporáriamente,
alguém sem credenciais confiáveis no posto....por nossa própria falta de consciência da necessária
luta pela religação com Deus...Jesus tem poder!!!...Me inclua fora dessa!!...Acho mesmo, relendo Gênesis ,que aquele tempo de verbo bíblico dá uma sutil, bem humorada e literal idéia de passado ,da certeza de Deus em nossa ìndole... "DEUS CRIOU E VIU QUE "era" BOM...".
Penso que todas as coisas refletem e obedecem sim a razão de seu criador,momentânea ou eterna . E acho mesmo que tudo tem um motivo pra existir.Mas por outro lado tudo tem muito mais motivo para evoluir à altura de seu Artífice.
É isso que procuro dizer..Deus não é doido,nem sádico ,nem burro,nem mal,alguma força contrária acionada por nós,mas permitida por Ele, deturpou
tudo, corrompeu.E acho que chegamos a um ponto de esclarecimento onde a "normalidade" precisa ser resgatada.De forma alguma somos superiores à força criadora.Se nós estamos achando estranho é porque Deus já tem essa certeza.Nós com nossa ciência somos simples descobridores de leis que regem o universo,fazedores de boas e más obras, mas não criamos nada que fosse vivo...nada.
Podemos no máximo transformado um tipo de vida em outro.Mas tudo que é vivo traz em sí sua semente,
o mérito não é nosso, nunca.Na natureza nada se crea ,tudo se transforma.
Está escrito que;
"Porque as desgraças de outrora serão esquecidas...mas será experimentada a alegria e a felicidade eterna daquilo que vou criar.Pois vou criar uma jerusalém destinad à alegria e seu povo ao júbilo...doravante não se ouvirá o ruído de soluços nem de gritos.Já não morrerá nenhum menino..não mais se construirá para que outro se instale (atual,né?),não se plantará mais para que outro se alimente..antes que me chamem Eu os responderei...Olobo e o cordeiro pastarão juntos , o leão como o boi se alimentará de palha, e a serpente comerá terra.Nenhuma mal nem desordem alguma será cometida , em todo meu monte Santo ,diz o Senhor."Izaias
Em tempo não sou nenhuma fanática religiosa ,nem crente..SINCERAMENTE ler a Bíblia sem preconceitos
é o que de melhor já fiz.É muito bom !Bjos tiza
Posted by: tiza | 15-07-2005 at 15:29
Oi, Leila,
Como eu disse antes, discordo. O homem não está distanciado de seus instintos mas, pelo contrário, próximo demais deles. As forças básicas da vida, que são os arquétipos, se apresentam sob duas polaridades básicas: a instintiva, que é cega e inconsciente, e o espírito, que é o instinto tornado consciente. Somos guiados em excesso por nossas pulsões inconscientes, quando deveríamos usar nossa consciência para transmutar essas pulsões em espírito. A vida não quer apenas mais vida, também quer mais consciência.
Bjs.
Malprg
Posted by: Malprg | 18-07-2005 at 15:33
Oi, Tiza!
Duas coisas:
1) Os exemplos de comportamento selvagem que você mencionou (do teu ex, por exemplo ;-)) caem exatamente na categoria que eu descrevi - a falta de consciência fazendo com que sejamos cegamente impelidos por nossas pulsões. Isso não quer dizer que o espírito não esteja presente ali, ele simplesmente não tem consciência de estar ali, e assim deixa-se levar pelas forças cegas que são o próprio espírito quando é inconsciente de si mesmo.
2) Note como, de acordo com o teu texto, você considera Deus e o mundo, criador e criatura, como dois pólos diferentes, Deus lá e nós aqui. Mas, de acordo com todas as crenças religiosas mais profundas (inclusive no cristianismo), essa separação é ilusória. Nós somos Deus e não sabemos, e é justamente porque não sabemos o Que somos que fazemos as coisas doidas que fazemos.
Bjs.
Malprg
Posted by: Malprg | 18-07-2005 at 15:40
Desculpa amigo ,vc é muito sério ,tava só brincando!Mas valeu .
A distância que coloco em evidência entre Deus e os homens é justa e ùnicamente esta ...
espiritual,de acordo e consonância com as revelações do Alto,sintonia de pensamentos e comportamentos divinizados.Abraços.
Posted by: tiza | 18-07-2005 at 18:54
Oi, Tiza!
Bom, tinha um emoticon lá em cima, pra mostrar que eu também não estava sendo inteiramente sério. Mas, sim, algumas vezes eu sou meio sisudo mesmo. Mas é só tomar duas aspirinas que passa. ;-)
Abs.
Malprg
Posted by: Malprg | 18-07-2005 at 22:46
De tudo que vc escreveu, postou ;gostei.Pode esquecer as aspirinas...abraços.
Posted by: tiza | 20-07-2005 at 00:10
Não dá pra negar que a discussão é enriquecedora, mas é gritante como os diversos níveis de percepção fazem com que cada um leia exatamente aquilo que quer. E isso não adianta brigar, bater o pé, discutir ad infinitum... Cada um plasma exatamente aquilo que se encaixa no nível de compreensão em que se situa. Às vezes me aborrece um pouco ver gente refutando algo utilizando paradigmas completamente diferentes. Eu to no pé do pé da montanha, e fico imaginando se isso tudo não será bolinha para alguém que já tenha conseguido se elevar um pouquinho. Como dizem, o mestre só fala quando os ouvidos estão prontos para escutarem. Ah, os véus da percepção...
Posted by: Easter | 20-07-2005 at 17:12
É meio inevitável, Easter. Só temos os nossos olhos pra ver o mundo, e os nossos olhos sempre vêem o mundo do jeito que nós somos. Pra quem tá no alto da montanha - onde espero chegar algum dia - todos esses paradigmas se fundem em uma única visão unificada, e você percebe que todos estão absolutamente certos e, ao mesmo tempo, completamente errados. É tudo uma questão de perspectiva.
Abs.
L.
Posted by: Malprg | 28-07-2005 at 18:20
Oi, Tiza!
Nah, é melhor manter as aspirinas por perto. Da última vez que parei de tomar, comecei a ver elefantes verdes com bolinhas cor-de-rosa. ;-)
Abs.
LMalprg
Posted by: Malprg | 28-07-2005 at 18:23
nao li todos os comments, mas só um ponto a ser levantados:
claro que existem plantas que são ´predatórias´.. Existem plantas carnívoras, plantas que sufocam e tomam ou sol de outras plantas, etc etc
mas como já disseram, a questão não é dicotomizar os humanos e a natureza, dando valores de bem ou mal para cada grupo. O importante é o ´equilíbrio´. A nossa existência necessariamente implica em custos para a terra, mas nós podemos controlar estes custos, aliviar o nosso peso.
A terra não é nossa escrava. É nossa mãe, é a mãe de nossos filhos também (ta certo que as vezes é uma mãe meio complicada, mas ainda assim merece nosso respeito e cuidado :D )
Posted by: Endless Endlessness | 09-09-2007 at 23:57
Não se trata de demonizar a natureza, Infinitude Infinita, mas apenas de corrigir a tendência oposta, de idealizá-la, como se a violência, a luta e o sofrimento fossem invenções humanas que não tivessem lugar na idílica vida dos animais.
Abs.
L.
Posted by: Malprg | 11-09-2007 at 21:12
Muito reducionista o texto. Então porque insetos se parasitam estão absolvido os homens que CONSCIENTEMENTE exploram seus semelhantes?
E detalhe: a vespa não parasita outra vespa, e tb não causa desiquilíbrio ecológico com esta sua ação.
Muito fraquinho o argumento. Típico de quem não sabe separar as categorias epistemológicas numa pré-análise. Dinâmica natural é uma coisa, dinêmica social é outra. Usar UM exemplo que nem é a regra geral para todas as espécies (há o mutualismo tb, e aí? como é que fica?)para justificar a exploração do homem pelo homem é no mínimo bizarro.
Posted by: Leonardo | 14-12-2007 at 18:51
Leonardo, bizarro é você concluir do texto que eu estou justificando a exploração do homem pelo homem. Se você desse uma olhada nos outros posts, especialmente os que estão agrupados sob a rubrica Anarquismo e política, veria que nada poderia estar mais longe da minha visão do mundo. É precisamente porque o homem tem a possibilidade de uma escolha consciente (ao contrário do animal, que é escravo de sua programação biológica) que a crueldade humana se torna menos defensável. A vespa, assim como a aranha, não podem agir diferente. O homem pode. Ele é dotado de uma liberdade que não existe no mundo natural. Se, apesar disso, ele opta por não usar essa liberdade, para ele não existe desculpa: a natureza é estúpida, o homem é mau.
Agora realmente bizarro é dizer que a crueldade da vespa está justificada porque ela não explora outras vespas. Quer dizer que crueldade contra outras espécies pode? Então tá.
Posted by: Malprg | 14-12-2007 at 19:25
mestre filósofo camuflado de roteirista de tv:
Quer dizer que crueldade contra outras espécies pode?
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hassam, o iniciado em algo:
se não pudesse todo mundo só comia mato e fruta como eu cá. :D :D :D
analfabetismo funcional: arte marcial brasileira. nãm mata, mas faz você gastar chi explicando oq já foi explicado! :D :D
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mestre filósofo camuflado de roteirista de tv:
O homem pode. Ele é dotado de uma liberdade que não existe no mundo natural. Se, apesar disso, ele opta por não usar essa liberdade, para ele não existe desculpa: a natureza é estúpida, o homem é mau.
Hassam, o iniciado em nada:
tio shooter, ai só discordo de que temos tanta liberdade assim. na verdade parece-me q temos três opções, com trocentos sabores cada.
1.seguir o sentido horário da espiral do 1:2:3:4 do pitágora, ou, sendo menos esquizo, seguir o sentido criador do pentagrama taoísta dos cinco movimentos.
2.seguir o sentido anti-horário da espiral do 1:2:3:4: do pitágora, ou sendo, menos esquizo, seguir o sentido destruidos/consumidor do pentagrama taoísta dos cinco movimentos.
3.sentar na poltrona e assistir tudo pela televisão, livros, rádio e afins. :D :D :D
Posted by: mahib hassam | 14-12-2007 at 19:52
Senti um faro gnóstico neste texto.
Há pessoas que estranham a idéia gnóstica de que a natureza é decaída. Há quem inclusive invoque a beleza do canto de sabiás e bem-te-vis para argumentar contra esta idéia.
Eu cá comigo acho bonito o canto dos pássaros, mas em compensação as cigarras são a parte em crise existencial do cantores da natureza. Os mestres Zen que me desculpem, mas eu não consigo me sentir em unidade com o canto das cigarras.
Agora entrando na experiência pessoal. Vcs me perdoem mas sou umbiguista obsessivo-compulsivo.
Pra mim foi uma sensação de "era isto que faltava no catecismo do colégio" quando eu conheci o gnosticismo. E "bem que o Kardec poderia ter sido gnóstico em sua doutrina" quando aprovei e senti em meu corpo as práticas espíritas ao mesmo tempo que não entendi a doutrina.
Enfim o gnosticismo foi a peça que faltava no meu quebra-cabeça teológico pessoal.
Shooter, adquirido o livro do Hans Jonas sobre gnosticismo, está na fila pra leitura, pela folheada pareceu-me obra única do gênero.
[]s
Mob.
Posted by: Lord Gideon Stargrave | 14-12-2007 at 20:46
Os mestres Zen que me desculpem, mas eu não consigo me sentir em unidade com o canto das cigarras.
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vai ver é pq tá negando seu lado músico, vagabundo devido a necessidade formigóide da vida cotidiana! :D
Posted by: don guakito | 14-12-2007 at 21:11
>vai ver é pq tá negando seu lado músico, vagabundo devido a necessidade formigóide da vida cotidiana! :D
Eu tô mais pra barata tonta presa de barriga pra cima no próprio debater-se.
Posted by: Lord Gideon Stargrave | 14-12-2007 at 21:24
>se não pudesse todo mundo só comia mato e fruta como eu cá. :D :D :D
Tecnicamente falando, não deixa de ser crueldade contra outra espécie. Afinal, planta também é um ser vivo. :-))))
>tio shooter, ai só discordo de que temos tanta liberdade assim. na verdade parece-me q temos três opções, com trocentos sabores cada.
Se temos opções (mesmo que só três), temos escolha. Se temos escolha, temos a liberdade de escolher. :-)
Abs.
L.
Posted by: Malprg | 14-12-2007 at 21:34
>Senti um faro gnóstico neste texto.
Totalmente. A premissa filosófica do post é a idéia gnóstica de que a Queda foi um acontecimento cósmico, que afetou não só o homem, mas toda a natureza. Do mais ínfimo paramécio ao Grande Cthulhu, todos os seres vivos são fragmentos do espírito aprisionados na perspectiva material. Na verdade, se a gente for com os alquimistas, não só os seres vivos, mas a própria matéria inanimada (se é que isso existe).
>Enfim o gnosticismo foi a peça que faltava no meu quebra-cabeça teológico pessoal.
Foi assim que eu me senti também quando descobri o gnosticismo, via Jung e PKD. Uma sensação de tapa na testa: é isso!. Depois passa... :-)))
>Shooter, adquirido o livro do Hans Jonas sobre gnosticismo, está na fila pra leitura, pela folheada pareceu-me obra única do gênero.
Na minha opinião, é mesmo. Um daqueles livros que é um verdadeiro crime ninguém traduzir. Como visão de conjunto sobre o gnosticismo, dá de dez no do Stephen Hoeller. É melhor até do que o da Elaine Pagels, se bem que por muito pouco. Não sei se eu já comentei aqui, mas foi no livro do Jonas que eu encontrei o conceito de sístase - esse, sim, a peça que faltava na minha teologia pessoal. :-)
Abs.
L.
Posted by: Malprg | 14-12-2007 at 21:43