Roubando o Fogo do Céu
Stealing the Fire from Heaven, de Stephen Mace, é considerado um dos livros seminais da magia do caos e, de fato, muitas vezes recomendado como a melhor porta de entrada para essa escola pós-moderna e altamente individualista de magia. Não sei se o livro é anterior ou posterior ao Liber Null de Peter Carroll mas, de qualquer forma, quando Stealing the Fire from Heaven foi escrito, Austin Osman Spare ainda era relativamente desconhecido no cenário mágico. Quando muito, era lembrado como um excêntrico artista e bruxo inglês, que passou rapidamente pela escola de Crowley, mas se afastou por discordar da Grande Besta.
O que predominava nos meios ocultistas era, de um lado, a noção de magia cerimonial da Golden Dawn, em seu estado puro ou através das adaptações de Crowley, Dion Fortune e W. E. Butler e, do outro, a linha Wicca, com sua adoração da natureza, dos elementos, do Sol e da Lua e que, embora pretendesse ser uma retomada da bruxaria tradicional européia, era na realidade uma recriação moderna de Gerald Gardner.
Nesse contexto, a descoberta de um conjunto de técnicas mágicas simples e eficazes, que prescindiam tanto do complexo simbolismo ritual e da elaborada hierarquia iniciática da Golden Dawn quanto da não-menos complicada observação dos ciclos naturais wiccana era um sopro de novidade que tornava a magia imediatamente acessível a qualquer um que se dispusesse a nada mais complicado do que olhar para dentro do próprio inconsciente. (Claro que olhar para o próprio inconsciente pode não ser tão simples assim mas, por enquanto, não vamos entrar no mérito da questão.)
Era isso que Spare tinha a oferecer e o livro de Mace transmite todo o frescor dessa descoberta, a (nas palavras do autor) “perspectiva de alguém que tinha acabado de perceber como fazer magia sem ficar preso ao simbolismo de alguma outra pessoa”. Dessa forma, a pièce-de-resistence do livro é uma apresentação das principais técnicas de Spare: o processo de sigilização, o alfabeto do desejo, o desenho automático e a postura de morte.
Para o leitor que já tem algum conhecimento da magia do caos, nada disso é mais novidade, e a Internet está cheia de textos que ensinam essas técnicas (boa parte dos quais pode ser encontrada aqui). Mas é melhor não se apressar a colocar o livro de Mace de lado. O autor não só descreve as técnicas com clareza como as discute com profundidade, coisa que o material disponível na Internet raramente oferece. E sua apresentação é bem melhor, por exemplo, que a de Peter Carroll, entre outras coisas por não estar contaminada com a prepotência e o complexo messiânico que tornam alguns dos escritos de Carroll quase insuportáveis.
Nem-Nem – Mace também dedica um considerável espaço aos métodos originais de Spare para carregar os sigilos, principalmente a técnica Nem-Nem (Neither-Neither), cujo alcance vai muito além de seu propósito conspícuo.
Trata-se de uma verdadeira forma de meditação, com ressonâncias taoístas e advaítas, cujo resultado mais importante é libertar a consciência de sua adesão cega a qualquer perspectiva unilateral da realidade, sobretudo os sistemas de crenças impostos socialmente. Por meio dessa técnica, o praticante pega cada opinião estabelecida e a lança contra a opinião oposta, fazendo com que elas se aniquilem mutuamente. Como acontece no choque entre matéria e antimatéria, essa aniquilação recíproca liberta uma grande quantidade de energia, neste caso a energia que a consciência usava para sustentar seu ponto-de-vista e reprimir os pontos-de-vista conflitantes.
Poucas vezes a prática do Nem-Nem foi tão bem explicada quanto no livro de Stephen Mace – talvez só a descrição de Kenneth Grant em O Renascer da Magia seja comparável. Uma vez que existem infinitas outras formas, bem mais simples, de se carregar um sigilo, a magia do caos contemporânea dá pouca atenção a ela: quem vai ter paciência para um meticuloso processo de aniquilação das certezas quando pode obter o mesmo resultado com a boa e velha punheta? Mas isso é um erro.
Como eu disse, a ativação dos sigilos não é nem de longe o resultado mais importante que se obtém com a técnica do Nem-Nem. A inspiração de Spare provavelmente veio da escola advaíta do vedanta, onde ela é chamada de Neti-Neti (que quer dizer a mesma coisa, só que em sânscrito). Pode-se ter uma idéia de seu potencial lembrando que, no vedanta, essa forma de meditação é empregada para descolar a consciência de sua identificação ilusória ao ego pessoal e elevá-la ao nível de Brahman, o Si-mesmo universal e impessoal, que abrange todos os opostos. O objetivo original de Spare era essencialmente o mesmo, com a diferença de que esse ser universal que os hindus chamam de Brahman era designado por ele como Kia – e, mais tarde, pela influência combinada de Carroll e Hakim Bey, veio a ser chamada de Caos.
Mais ainda, os leitores habituais de Carlos Castaneda reconhecerão aí uma maneira segura e eficiente de atingir o que Dom Juan considerava uma condição imprescindível para a feitiçaria. Segundo Dom Juan, o mundo que vemos não passa de uma descrição da realidade construída socialmente e que se mantém apenas porque somos condicionados a reforçá-la continuamente com o nosso diálogo interno. Com isso, o nosso ponto de aglutinação (a parte do nosso corpo energético responsável por sintetizar nossas percepções em um todo coerente) fica imobilizada e impedida de experimentar outras realidades. A aplicação do Nem-Nem permite romper esse imobilismo e anular o diálogo interno, não combatendo-o, mas exacerbando-o: em vez de uma descrição monolítica da realidade, a consciência tem de se haver com duas que, ainda por cima, são mutuamente excludentes. O resultado disso é o que os psicólogos chamam de dissonância cognitiva. De acordo com Dom Juan, ao paralisar o diálogo interno, a energia que era empregada para sustentá-lo torna-se disponível para o feiticeiro, que pode usá-la para mover o ponto de aglutinação à vontade.
O Nem-Nem também tem fortes pontos de contato, de um lado, com a psicologia junguiana e, do outro, com a dialética de Hegel. Observando seu próprio desenvolvimento psicológico e o de seus pacientes, Jung constatou que o inconsciente – a fonte, não nos esqueçamos, da magia de Spare – tem uma tendência espontânea a corrigir a unilateralidade da consciência. Toda vez que o ego se agarra com unhas e dentes a uma perspectiva limitada, o inconsciente constela uma perspectiva oposta, que surge nos sonhos e fantasias, e que acaba levando a um conflito entre a consciência e o inconsciente. Jung acreditava que esse conflito era o significado simbólico da imagem de Cristo na cruz, isto é, a consciência crucificada entre os opostos. A tendência natural do ego é fugir do conflito (Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?), seja se aferrando ainda mais ao seu ponto-de-vista, seja simplesmente abandonando-o para se identificar com o novo ponto-de-vista apresentado pelo inconsciente. Ambas as táticas são uma fuga e, pior, uma fuga inútil, que só exacerba o conflito. Se, em vez disso, a consciência sustentar a tensão entre os opostos, eles acabam – como na técnica de Spare – cancelando um ao outro e, em seu lugar, surge o que Jung chamava de função transcendente: um símbolo produzido espontaneamente pela psique e que transcende (daí o nome) o dualismo. E aqui o círculo se fecha, porque a função transcendente simboliza o Si-mesmo, o núcleo transpessoal da psique, o qual nada mais é do que outro nome para o que Spare chamava de Kia.
A psicologia de Jung foi bastante influenciada pela filosofia de Hegel, cujo ponto de partida é a natureza dialética da realidade.
Toda tese, diz Hegel, gera automaticamente seu contrário, sua antítese, e a realidade é constituída por um conflito dialético entre essas oposições. Eventualmente, o choque entre a tese e a antítese produz uma síntese que, ao mesmo tempo, conserva e supera os termos da oposição, elevando-a a um novo nível. Para descrever esse processo, Hegel usa o termo alemão Aufheben, que tem os dois significados ao mesmo tempo, conservar e ultrapassar. A consciência se desenvolve por meio de uma sucessão em espiral de oposições e superações, partindo da consciência individual, presa ao aqui-agora e que só considera real aquilo que pode perceber com os cinco sentidos, até chegar ao Espírito Absoluto. Como o leitor já deve ter adivinhado, as características que Hegel atribui a esse Espírito Absoluto correspondem, uma vez mais, ao Si-mesmo junguiano e à Kia de Spare, uma afirmação que provavelmente chocaria meus ex-colegas da Faculdade de Filosofia, mas que encontra eco na constatação de Fulano de Tal de que o sistema hegeliano deve menos à tradição filosófica do que aos estudos de Hegel sobre o hermetismo.
O Pensamento Vivo de Austin Osman Spare – Esses paralelos servem para mostrar que o pensamento de Spare era bem diferente e ia muito mais longe do que o pragmatismo a que foi reduzido por seus redescobridores contemporâneos. Não que a culpa seja deles. Vários motivos concorrem para que uma obra com o título de O Pensamento Vivo de Austin Osman Spare nunca possa vir à luz. Antes de mais nada porque o próprio Spare fez o possível e o impossível para que isso não acontecesse. Ele tinha um sistema simbólico, mas este era altamente pessoal e intransferível, já que fora meticulosamente dragado das profundezas de seu próprio inconsciente por meio da escrita automática, que Spare empregava de maneira e com propósitos muito semelhantes aos de seus contemporâneos surrealistas que, no entanto, nunca foram tão longe quanto ele na exploração dos aspectos ocultos e mágicos da psique.
Não que os surrealistas não se interessassem por esses aspectos.
Muito pelo contrário, Breton, Artaud e outros participantes das diferentes fases do movimento eram praticamente obcecados por magia e esoterismo. Mas, embora metáforas esotéricas pipoquem por toda parte nos textos surrealistas, eles nunca chegaram a uma sistematização dos procedimentos comparável à de Spare.
Foi graças a essa sistematização que, apesar de manter uma discrição britânica sobre os símbolos que compunham seu próprio alfabeto do desejo, Spare pôde transmitir instruções precisas para que cada um pudesse explorar o seu simbolismo pessoal, sem ter que decorar centenas de correspondências entre cores, números, deuses, Sephiroth, signos astrológicos e tudo o mais que faz parte do currículo de um iniciado da Golden Dawn ou de outra ordem iniciática semelhante.
Essas instruções, contudo, tinham como pano-de-fundo um sistema filosófico complexo e completo, que Spare expôs detalhadamente em livros como The Book of Pleasure (sua principal obra), Anathem of Zos e outros. Aqui, porém, entra uma outra dificuldade, que é o estilo sibilino de Spare. Escritos ao sabor da inspiração inconsciente, num exercício deliberado de escrita automática (outro ponto em comum com os surrealistas), os textos de Spare são vazados numa prosa poética quase impenetrável, que resiste violentamente à compreensão do leitor. Sem essa compreensão, no entanto, técnicas como a sigilização e o alfabeto do desejo perdem seu contexto e correm o sério risco de ser mal-interpretadas.
Tomemos por exemplo a afirmação de Spare de que cada mago deve extrair os símbolos que usa de um contato direto com seu inconsciente. É esse contato direto que dá aos símbolos seu caráter vivo e pessoal, em contraste com as formas convencionais transmitidas, digamos, pela Golden Dawn. Essa é uma vantagem inquestionável, especialmente se considerarmos que a eficácia da magia é diretamente proporcional à capacidade dos símbolos de mobilizar a imaginação. Mas o que é exatamente que Spare queria dizer quando falava de inconsciente, ou melhor, de subconsciente?
Dado o caráter pessoal do sistema de Spare, a maior parte de seus leitores modernos – e, nesse ponto, Stephen Mace não é uma exceção – entendeu que ele estava se referindo a um inconsciente também pessoal. Nas palavras de Mace:
Espíritos são poderes, poderes da mente, e seu domínio é o inconsciente. (...) Espíritos podem aparecer como habilidades, talentos e como emoções. Espíritos podem se esconder em complexos que disparam respostas automáticas às situações que encontramos. Espíritos se mostram em sonhos e nos desafiam a compreendê-los. Mas um feiticeiro usa técnicas que tornam o inconsciente acessível e, dessa forma, ele (ou ela) pode encontrar seus espíritos face a face.
A Psicologia dos Fenômenos Ocultos – Mais ou menos na mesma época em que Spare desenvolvia seu sistema, um jovem psiquiatra suíço em início de carreira apresentava uma tese de doutorado intitulada “Sobre a Psicologia e Patologia dos Fenômenos Chamados Ocultos”, em que chegava virtualmente às mesmas conclusões de Spare. Investigando as manifestações de uma médium espírita (que, por acaso, era sua prima), o psiquiatra descobriu que os chamados “espíritos” que se comunicavam através dela eram, na verdade, aspectos inconscientes da personalidade da própria médium.
O jovem psiquiatra foi mais além e demonstrou que essas personalidades inconscientes eram representações simbólicas (mais exatamente, personificações) de estruturas inconscientes compostas por pensamentos, imagens e afetos que foram banidos da consciência ou nunca chegaram a fazer parte dela. Ele chamou essas estruturas de complexos e desenvolveu um teste de associação de palavras capaz de identificar a presença desses complexos.
Mas nosso psiquiatra não parou por aí. Continuou a investigar a estrutura dos complexos e, eventualmente, concluiu que tais estruturas estavam organizadas ao redor de um núcleo central, que era diferente para cada complexo. Mais importante ainda: embora o complexo fosse constituído em sua maior parte por elementos pessoais, nascidos das experiências e traumas pelos quais cada pessoa passa ao longo da vida, assim como de potenciais ainda não desenvolvidos (as habilidades e talentos de que fala Mace), o núcleo do complexo era de uma natureza bem diferente.
Quando o analista chegava a esse nível, as associações do paciente perdiam inteiramente o caráter pessoal e autobiográfico. Em vez disso, começavam a surgir símbolos universais, de caráter arcaico e análogos aos que se pode encontrar nas religiões e mitologias. O interessante é que, na maior parte dos casos, o paciente não tinha a menor idéia desses paralelos mitológicos. Um exemplo particularmente eloqüente é o de um paciente esquizofrênico que, em suas alucinações, via uma flauta pendurada no Sol. Quando o vento soprava, a flauta emitia notas musicais. É exatamente a mesma descrição que se encontra em um dos textos do Corpus Hermeticum, na qual se fala da flauta do Sol que toca quando o vento sopra. O paciente não tinha conhecimento dessa descrição por dois motivos. Primeiro, porque seu nível de cultura geral era baixo e, segundo, porque o texto do Corpus Hermeticum ainda não havia sido traduzido.
Já falamos aqui desse psiquiatra suíço. Na verdade, já falamos muito e até neste post mesmo. Caso o leitor ainda não tenha adivinhado, trata-se de Carl Gustav Jung, e o que ele descobriu, ao reunir essas e outras experiências semelhantes, foi a existência dos arquétipos. Um conceito que faz uma falta danada na magia do caos.
Formas divinas –
Existe uma crença bastante difundida na magia do caos e que estabelece uma espécie de hierarquia evolutiva entre sigilos, servidores e deuses. Sigilos são símbolos gráficos que representam o intento do mago. Se esse intento for personificado sob a forma de um tipo de “robô psíquico” (como os homunculi da magia alquímica ou o golem da cabala), temos um servidor, uma entidade dotada de relativa autonomia e consciência limitada, programado para cumprir o desejo do mago. Dado o devido tempo e as circunstâncias corretas, acredita-se, um servidor pode acumular energia e tornar-se cada vez mais poderoso, até conquistar uma autonomia absoluta em relação ao seu criador original. Nesse ponto, o servidor passaria por uma mutação evolutiva e se transformaria em um deus. Alguns adeptos da magia do caos estão convencidos de estarem testemunhando esse processo com FOTAMECUS, uma entidade que começou como um servidor criado para economizar tempo e que, aos poucos, estaria desenvolvendo poderes divinos. Na opinião de Stephen Mace (e de muitos outros), seria essa a origem das divindades tradicionais:
Esses deuses têm o poder que seus adoradores lhes dão – seja através da devoção, ritual ou derramamento de sangue. Se essa energia for dada com sinceridade e direcionada com competência, ela causará mudança. Isso acontece de modo mais óbvio na mente inconsciente do adorador, mas também – uma vez que o inconsciente tem suas raízes na Mente do Absoluto – no mundo externo. É esse o mecanismo por trás do poder da prece.
É um belo esquema, que faz todo o sentido do ponto-de-vista racional mas, infelizmente, está errado.
Como Jung demonstrou (e a psicologia arquetípica de James Hillman levou às últimas conseqüências), os deuses são, sim, uma personificação mas, diferente dos servidores, que têm sua raiz na psique individual do mago, as forças que eles personificam emergem das profundezas do inconsciente coletivo – que equivale, em linhas gerais, ao que Mace está chamando de “Mente do Absoluto”.. Em outras palavras, deuses são arquétipos personificados.
Como já vimos, os arquétipos são as forças primordiais do universo. Assim, eles não só não nasceram da vontade de um indivíduo ou grupo como, de fato, são anteriores à humanidade e ao próprio universo. O poder dos deuses, conseqüentemente e ao contrário do que pensam Mace e muitos caoístas, não vem de seus adoradores, mas das forças arquetípicas que se expressam através deles.
É verdade que os atributos com que os deuses são dotados – por exemplo, seu nome, sua aparência, etc. – são determinados pelo contexto cultural, mas apenas em certa medida. Por exemplo, Hermes, com suas asinhas nos pés, Toth e sua cabeça de íbis ou o Exu do candomblé têm formas físicas totalmente diversas. No entanto, todos os três são personificações do mesmo arquétipo, e alguns de seus atributos transcendem as fronteiras culturais. Todos os três estão ligados à comunicação e são mensageiros entre os deuses e os homens; Hermes e Toth são ambos deuses da escrita; Exu e Hermes são trapaceiros e seu domínio são as encruzilhadas, e assim por diante. Essas semelhanças e diferenças podem ser rastreadas em todos os deuses por todo o mundo, deixando bem claro que, como a flauta solar do paciente de Jung, seu simbolismo não é arbitrário e nem reflete as preferências individuais de seus adoradores.
Isso fica claro no próprio texto de Mace e, pior, no parágrafo mesmo em que ele defende o caráter relativo dos símbolos mágicos. “Dependendo da cultura”, diz, “cada escola de feitiçaria tem seus próprios costumes típicos para os poderes que define.” E, contudo, o exemplo que ele dá desmente essa afirmação:
Um Rosa-Cruz deve aprender que a mudança destrutiva é atribuída à quinta esfera da Árvore da Vida – Geburah, significando severidade. Seus nomes divinos são Marte, Ares, Hórus e Elohim Gibor. Seu arcanjo é Kamael; seu anjo é Zamael; seu espírito é Bartzabel. Sua cor é o vermelho; sua erva é a urtiga; sua droga é o tabaco; seu metal é o ferro. Por outro lado, o aprendiz de hougan sabe que o loa guerreiro é Ogum. Ogum é severo; ele é um ferreiro; bebe rum; fuma tabaco.
A questão que Mace deixa passar batido é: se os atributos que simbolizam os poderes cósmicos são definidos por cada escola e variam de uma para outra, como pode ser que tanto o vodu (e o candomblé) quanto a magia cerimonial européia tenham chegado aos mesmos símbolos para representar a esfera da severidade, nominalmente o vermelho, o ferro e o tabaco?
A resposta óbvia é: porque esses atributos não dependem do contexto cultural e, pelo contrário, exprimem características concretas do mesmo arquétipo que na cabala é simbolizada por Geburah e que os africanos personificam como Ogum. É exatamente isso, aliás, que ensina a filosofia indiana, segundo a qual cada imagem arquetípica possui pelo menos dois níveis: deshi (“étnico”), os aspectos da imagem que variam de época e local; e marga (“meio”), que são as estruturas invariáveis do arquétipo.
Cascas vazias – Que importância tem isso?, perguntará o leitor impaciente com essas filigranas. Se você acha que são filigranas e que não têm a menor importância, considere a diferença que há entre invocar um poder cósmico primordial e invocar um servidor anabolizado. Se o servidor anabolizado não gostar da maneira como você se dirige a ele, pode causar um bocado de dor-de-cabeça. Por outro lado, se um poder cósmico primordial considerar a sua atitude arrogante ou desrespeitosa, pode reduzir você a cinzas no mesmo minuto. E, afinal de contas, um deus pode achar falta de respeito o simples fato de ser encarado como um servidor anabolizado.
Isso não quer dizer que um mago seja obrigado a se ater rigorosamente ao simbolismo definido por uma religião ou grupo esotérico, ou seja, o objetivo dessas observações não é contestar a afirmação de Spare de que cada um deve definir seus próprios símbolos pessoais. Pelo contrário, essa continua sendo a grande contribuição de Spare ao ocultismo e o que torna a magia do caos uma ferramenta tão mais flexível do que, digamos, o sistema da Golden Dawn.
Um símbolo só é uma expressão viva do arquétipo que ele representa enquanto continuar diretamente ligado com as energias do inconsciente. Quando essa ligação se rompe, o símbolo se torna um estereótipo, uma letra morta, que não tem mais qualquer poder para canalizar a energia psíquica. A cabala chama esses estereótipos de qlippoth, cascas vazias, e define o mal como o predomínio das qlippoth sobre as formas vivas do arquétipo.
Acontece que a tendência natural de todo símbolo é, ao longo do tempo, ir perdendo sua eficácia simbólica, à medida que vai sendo assimilado pela consciência individual ou coletiva e, conseqüentemente, se afastando de suas raízes inconscientes. Quando isso ocorre, é necessário que a consciência se volte uma vez mais para o inconsciente, em busca de um novo símbolo que substitua as formas desgastadas e, ao mesmo tempo, seja mais adequado ao novo contexto.
Por outro lado, ainda que as camadas mais profundas do inconsciente – o inconsciente coletivo – sejam universais e transcendam as fronteiras do indivíduo e da sociedade, os caminhos que conduzem até essas camadas são sempre particulares, porque passam pelo filtro das nossas idiossincracias, de nosso temperamento e das peculiaridades do nosso inconsciente pessoal. A conseqüência disso é que os símbolos que ressoam com a minha psique e podem estabelecer uma conexão entre a minha consciência e a esfera arquetípica não são necessariamente os mesmos que ressoam para você.
Dessa forma, o mago pode escolher seu simbolismo dentre o inumerável repertório oferecido pelas religiões e esoterismos, com toda a liberdade para ficar apenas com o que lhe serve e descartar as imagens que não lhe falam à alma. Ou pode, como Spare, virar as costas para tudo isso e deixar que seu próprio inconsciente produza as pontes necessárias entre a consciência e os subterrâneos da psique. Neste último caso, contudo, se ele se der ao trabalho de comparar sua coleção particular de símbolos com o repertório cultural, vai ver que, muitas vezes, eles vão coincidir ao nível do detalhe. Não é coincidência que o alfabeto do desejo de Spare fosse composto de 22 glifos, o mesmo número dos arcanos maiores do tarô. Essas convergências refletem o lado marga do arquétipo, aquele nível do simbolismo que transcende as diferenças individuais.
E por falar no alfabeto do desejo, para terminar, voltemos aos (muitos) pontos que o livro de Mace tem de positivo.
O Alfabeto do Desejo – Apesar de pouco compreendido, o alfabeto do desejo é, potencialmente, o elemento mais importante do sistema de Spare, precisamente porque permite conciliar marga e deshi de um modo prático e funcional:
O “alfabeto do desejo” é o nome que Spare dá para a coleção de símbolos ou “letras sagradas” que todo feiticeiro que persiste nesse método deve mais cedo ou mais tarde desenhar. Cada “letra” (na verdade, um ideograma) representa um poder ou, como Spare o chamava, um “Princípio Sexual”, uma estrutura inconsciente ou uma variedade de energia que o feiticeiro reconhece ou deseja reconhecer em sua psique profunda. A letra age como uma forma de designar a natureza dessa força mesmo quando a mente racional fica no escuro.
O método de Spare para criar um Alfabeto do Desejo – e que Mace explica detalhadamente – é através do desenho automático. Peter Carroll também dedica um capítulo grande de seu Liber Null ao tema, mas sua abordagem é muito mais racional e, além disso, ele gasta a maior parte do tempo explicando como funciona o Alfabeto do Desejo dele, o que é um contrasenso, se lembrarmos que os ideogramas são uma expressão individual do mago.
Mas afinal, para que serve um Alfabeto do Desejo? O conceito fascina os seguidores da magia do caos e, ao mesmo tempo, nota-se que eles não sabem muito bem o que fazer com isso. Na melhor das hipóteses, sugerem que é uma ferramenta para criar sigilos mais eficientes. Na verdade, é muito mais do que isso.
Por meio do Alfabeto do Desejo, é possível criar um mapa detalhado – e pessoal – das energias arquetípicas, tanto as que estão ativas na psique do mago quanto as que dão forma e estrutura à realidade. Dessa forma, os ideogramas tornam-se um instrumento para interagir diretamente com essas forças, para invocá-las e direcioná-las para objetivos específicos. Mace sugere alguns dos elementos que podem ser simbolizados pelo Alfabeto do Desejo:
- Estruturas psíquicas profundas.
- Energias e forças associadas com essas estruturas.
- Reflexos condicionados, que o mago pode optar por reforçar ou dissolver.
- Demônios internos.
- Entidades do astral.
- O Santo Anjo Guardião.
Em outras palavras, o Alfabeto do Desejo serve para representar tanto as forças primordiais da psique quanto o conjunto de bloqueios que limitam a consciência e impedem a livre-expressão dessas forças. Meus Vinte Fiéis Leitores já sabem que os gnósticos valentinianos chamavam esses bloqueios de sístase e que consideravam esse sistema como a fonte dessa pseudo-realidade que chamamos de mundo. Assim, o potencial mais revolucionário do Alfabeto do Desejo é a dissolução do estado de sístase, a possibilidade de utilizar as energias arquetípicas para quebrar nossos condicionamentos. Mais do que um método para criar sigilos melhores, o Alfabeto do Desejo é um instrumento para a libertação da consciência.
Fala shooter!
Nossa em todo o tempo na net pesquisando sobre o tema, acho que devo ter visto uma vez só sobre esse livro (porque nem lembrava. A esse ponto nem sabia mais que existia).
>>>(...)“perspectiva de alguém que tinha acabado de perceber como fazer magia sem ficar preso ao simbolismo de alguma outra pessoa”...
mas esse era meu medo recente em relação ao (ou às interpretações sobre) Spare. Como o Crowley disse, me parecia o extremo do "mago negro" que ao se fixar ao seus símbolos apenas "seus", cristalizava o exoesqueleto do ego (ou pior ainda no caso de alguns caoístas, não é nem mais ego mas puro narcisismo sobre a própria personalidade).
O Jacques Derrida tinha uma linha teórica semelhante ao tal "Neither-Neither", não? Uma coisa bem fudida para botar fim no "either/or"... é uma pena que Robert Anton Wilson só propagou o niilismo pop ebutido nisso. Ou apenas uma permissão para o leitor acreditar no que "quiser".
E me parece que a síntese de Hegel é nada mais que uma nova tese. "For every 'why', there's a 'because'. And for every 'because', a new 'why'." Uma ouroboros maldita que sempre se crê certa em seu estado atual (sua síntese). Ao meu ver, a síntese da dialética está um tanto oposta ao nem-nem. O nem-nem parece estar mais para uma ruptura do desejo criador da "tese" e da "antítese", do que atrás de uma síntese. A síntese me parece apenas uma casca, um novo exoesqueleto cristalizado. "Ah, agora encontrei uma conclusão."
E o que me agrada no alfabeto do desejo é o referencial simbólico individual quase num aspecto situacionista. Sendo tratado não como certo, mas como apenas um referencial. Mas quando usado, é tratado como único e certo (e não fica apenas na suspensão de descrença. "é apenas um mapa". ceticismo e niilismo barato). Porém, é usado como apenas sigilos melhorados ou como um mapa da realidade que bate melhor com o indivíduo. Mas esse "bater melhor com a realidade" me soa apenas como estagnação dos modos de sensibilidade com o mundo (um aprisionamento de consciência fudido). E espero que satisfaça alguns caoístas, mas parece haver coisas mais interessantes a serem descobertas.
abs! Vou dormir (sono do caray, perdoe a falta de coerência em partes do texto).
ps: faltou o símbolo que para mim é master do neither-neither - o ying-yang.
Posted by: M.A. Lobato | 20-11-2004 at 17:55
Salve, Lobato!
>Nossa em todo o tempo na net pesquisando sobre o tema, acho que devo ter visto uma vez só sobre esse livro (porque nem lembrava. A esse ponto nem sabia mais que existia).
Eu, pelo contrário, ouvi falar tanto dele que tive que comprar pra ver se era tudo isso mesmo. E o pior é que é! Eu tenho lá minhas restrições (como explico na resenha) mas, dentro do que ele se propõe, achei o livro ótimo.
>mas esse era meu medo recente em relação ao (ou às interpretações sobre) Spare. Como o Crowley disse, me parecia o extremo do "mago negro" que ao se fixar ao seus símbolos apenas "seus", cristalizava o exoesqueleto do ego (ou pior ainda no caso de alguns caoístas, não é nem mais ego mas puro narcisismo sobre a própria personalidade).
Isso é mais um problema das interpretações do que do próprio Spare. O Spare dominava muito mal o vocabulário psicológico e usava as palavras de maneira errônea. Daí que o que ele chama de "ego" não é o ego, mas o self (tanto que, pra chegar até ele, o Spare diz que é necessário um completo esvaziamento da personalidade - ou seja, do ego). O self love do Spare é pura e simplesmente a True Will do Crowley com outro nome. E o famigerado Kia é uma descrição mais impessoal (e, portanto, até mais correta) do que o Crowley chamava de Santo Anjo Guardião.
Quanto às restrições do Crowley ao Spare, dá uma olhada neste artigo, e você vai ver que o buraco era (literalmente!) mais embaixo... ;-)
>O Jacques Derrida tinha uma linha teórica semelhante ao tal "Neither-Neither", não?
Tinha. A desconstrução é um método de leitura que tem muito em comum com o raciocínio mágico. Taí um tema que bem valia um post, qualquer dia desses...
>O nem-nem parece estar mais para uma ruptura do desejo criador da "tese" e da "antítese", do que atrás de uma síntese.
Não, mas a dialética do Hegel é um processo contínuo. Cada síntese torna-se uma nova tese que, por sua vez, convoca sua antítese e assim por diante, até chegar à equivalência de todas as coisas no Espírito, que é também a meta do neither-neither.
>E o que me agrada no alfabeto do desejo é o referencial simbólico individual quase num aspecto situacionista. Sendo tratado não como certo, mas como apenas um referencial. Mas quando usado, é tratado como único e certo (e não fica apenas na suspensão de descrença. "é apenas um mapa". ceticismo e niilismo barato). Porém, é usado como apenas sigilos melhorados ou como um mapa da realidade que bate melhor com o indivíduo. Mas esse "bater melhor com a realidade" me soa apenas como estagnação dos modos de sensibilidade com o mundo (um aprisionamento de consciência fudido).
É por isso que eu digo que falta a noção de arquétipo ao caoísmo. Ok, os símbolos do alfabeto do desejo são individuais, mas as forças que eles simbolizam não, são forças universais. O alfabeto do desejo é a tua maneira de interagir com essas forças universais - e, nas mãos de um mago que saiba o que tá fazendo (mas quantos sabem?), é um instrumento poderosíssimo, serve pra coisas bem mais importantes do que fazer sigilos. Como eu falei no post, basicamente você pode usar o alfabeto do desejo para (a) mapear todos os condicionamentos sociais, psicológicos e biológicos que limitam a tua consciência; (b) invocar as energias arquetípicas que podem quebrar esses condicionamentos; e (c) jogar umas contra as outras, até alcançar a Libertação.
O Spare tinha uma incapacidade congênita de ser claro, mas o cara era foda! ;-)
Abs.
L.
Posted by: malprg | 20-11-2004 at 18:46
Desviando um pouco do assunto...
Eu queria entender a relação que o Grant Morrison fez sobre memes (ou MeMePlex) e sua teoria de personalidades e magia(na última edição, a de 2012). Tem aquela Reynard falando (algo semelhante):
-"Shit, my meme is cycling. I'm a Loner. I'm a Dracula's daughter frighten standing in the rain."
Para falar a verdade, talvez nem esteja tanto desviando do assunto... Eu tenho minhas teorias, mas acho que estão "way, way off..."
abs.
Posted by: M.A. Lobato | 21-11-2004 at 22:20
Bem, acho interessante e atrativa a idéia de criar uma simbologia própria (apresar de exigir muito mais esforço e talvez por isso mesmo seja mais enriquecedora a experiência).
Nunca consegui embarcar em nenhuma escola iniciática ou qualquer sistema de crenças pré-estabelecidos, tenho um espírito muito arredio e gosto de bicar em tudo. Então, um sistema que te deixa livre me parece bem sedutor.
Seu blog tem sido muito enriquecedor.
Valeu.
Posted by: nataraja | 22-11-2004 at 18:25
Saravá, Lobato!
>Eu queria entender a relação que o Grant Morrison fez sobre memes (ou MeMePlex) e sua teoria de personalidades e magia(na última edição, a de 2012).
Eu não tenho certeza, mas provavelmente tem a ver com a idéia que a Susan Blackmore desenvolve em The Meme Machine, de que o ego não passa de um complexo de memes. Eu ainda não sei o que pensar dessa teoria - tô começando a me aprofundar mais em memética agora, ainda não tenho certeza de onde (e se) ela se encaixa no contexto geral. Acho que, como na magia do caos, falta na memética um conceito de arquétipos, isto é, alguma coisa além dos memes e na qual os próprios memes lançariam suas raízes. Isso explicaria porque alguns memes "pegam" e outros não.
Abs.
L.
Posted by: malprg | 25-11-2004 at 00:39
Oi, Nataraja!
>Bem, acho interessante e atrativa a idéia de criar uma simbologia própria (apresar de exigir muito mais esforço e talvez por isso mesmo seja mais enriquecedora a experiência).
Concordo em gênero, número e grau. É impossível criar uma simbologia própria que realmente funcione sem mergulhar em si mesmo, e é impossível mergulhar em si mesmo sem que esse mergulho o transforme. No fundo, então, esse enriquecimento da experiência que temos de nós mesmos e do mundo acaba sendo o maior benefício da magia, muito mais importante do que qualquer truquezinho que a gente se torne capaz de fazer com ela. ;-)
>Nunca consegui embarcar em nenhuma escola iniciática ou qualquer sistema de crenças pré-estabelecidos, tenho um espírito muito arredio e gosto de bicar em tudo. Então, um sistema que te deixa livre me parece bem sedutor.
Somos dois. É isso que me atrai na magia do caos - a possibilidade de pegar o que for útil onde quer que apareça, sem ter que se comprometer com sistemas de crenças e estruturas ideológicas. Não que, trabalhando diretamente com o teu inconsciente, você não tenha crenças e estruturas - mas elas brotam de você mesmo e, em vez de conceitos estanques, o que se tem é um processo contínuo, no qual essas estruturas estão constantemente se transformando para refletir as transformações no teu próprio "túnel de realidade".
>Seu blog tem sido muito enriquecedor.
>Valeu.
Eu é que agradeço, e espero que você continue visitando, gostando e comentando. Só lamento não ter tempo pra manter o blog atualizado com mais freqüência.
Abs.
L.
Posted by: malprg | 25-11-2004 at 00:48
Salve Lúcio...
Achei um texto muito interessante do Hakim Bey. "Aimless Wanderings - Chuang Tzu's Chaos Linguistics". Achei bem de mãos dadas com seu texto. Linguística do Tao na veia.
Apesar de Bey estranhamente desprezar os tipos de práticas esotéricas como da Golden Dawn e Blavatsky-types (aparentemente os tipos Crowley e Spare também...), ainda acho os textos do Bey, "Feitiçaria", "Kali Yuga" (você devia postar algo sobre a magnífica-horrenda Kali um dia...) e "Paganismo" são impagáveis para qualquer um que se enfie nesses temas. Quanto eu mais leio desse cara, mais fico pasmado.
Saiu recentemente "Chuva de Estrelas" pela Conrad. Tá muito interessante até agora...
abs!
Posted by: M.A. Lobato | 22-12-2004 at 17:11
Saravá, Lobato!
O Hakim Bey tem uma certa razão em desprezar - afinal, ele é um iniciado sufi, vai pegar essas coisas direto na fonte. Eu tô estudando o livro do Israel Regardie sobre o sistema GD - que ele publicou à revelia dos cabeças da ordem, que já tava em franco processo de esfacelamento - e é uma coisa extraordinária, extraordinariamente complexa e extraordinariamente ambiciosa (no bom sentido), mas também tem muita coisa de arbitrário, e muita coisa que reflete a visão de mundo vitoriana (titio Morrison também não perde uma chance de detonar com a GD por conta disso). Mas eu não desprezaria a GD totalmente, não - tem muita coisa valiosíssima ali dentro e, no geral, é uma tentativa admirável de se chegar a uma síntese prática de todo o conhecimento esotérico.
Quanto ao Chuva de Estrelas, é papa fina, especialmente pra quem tá buscando entender como é que funciona o mecanismo da auto-iniciação, sem depender de ordens e caciques externos.
Abs.
L.
Posted by: malprg | 22-12-2004 at 19:21
ADOREI ESSA PARTE DO LIVRO
GOSTARIA DE SABER MAIS SOBRE A MAGIA DO CASOS
É POSSIVEL?
TCHAU ABRAÇOS
Posted by: NOSLEA | 16-02-2008 at 21:29
Bom dia,
Sou novato em conhecimentos esotéricos, fiquei interessado sobre a literatura da magia do caos, como por exemplo o livro:
Stealing the Fire from Heaven, de Stephen Mace, como sendo um iniciante em magia ou esoterismo prático ter acesso a essa literatura.
Fraternalmente,
Carlos.
Posted by: Carlos A. S. Mata | 30-09-2008 at 07:50
Carlos, um excelente ponto de partida é o site do Phil Hine, onde, além de artigos interessantes e indicações de leitura, você vai encontrar vários ebooks do próprio Hine pra baixar de graça.
Abs.
L.
Posted by: Malprg | 30-09-2008 at 10:52